Frei Galvão é um ilustre desconhecido, diz franciscano que atua no santuário do primeiro santo brasileiro
“Eu diria que ele é um ilustre desconhecido, frei Galvão é o nosso primeiro santo brasileiro e está aquém ainda de ser mais explorado pelos fiéis católicos brasileiros”, disse à ACI Digital o vigário do santuário de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, em Guaratinguetá (SP), frei Leandro Costa. Segundo ele, embora seja muito conhecido pelas pílulas de fé, frei Galvão, que será celebrado no sábado (25) pela Igreja, tem muito a ensinar por sua vida de santidade.
“O frei Galvão se destaca por suas virtudes, que começam já de casa”, disse.
“Ele tem uma família que o incentivava na vivência da caridade”, contou o frei Leandro. Segundo ele, “há relatos de que, vendo a mãe envolvida com a caridade, frei Galvão – no caso ainda só Antônio – já ia crescendo e percebendo essa ação caritativa”.
Em casa, também aprendeu a ter uma vida “de piedade” e uma devoção à santa Ana, avó de Jesus. “O Sant’Anna que ele acrescenta ao nome quando faz os votos certamente é referência à devoção à santa Ana, a quem sua família tinha uma devoção muito particular”, disse, destacando que “na casa museu Frei Galvão”, em Guaratinguetá, “nós encontramos o oratório dando referência à devoção à santa Ana”.
Para o vigário, essa realidade familiar de frei Galvão mostra que “santos podem nascer de famílias que se santificam todos os dias, no trabalho, na caridade, na vida de oração, no compromisso, tudo isso fomenta a santidade”.
Aos 16 anos, Antônio Galvão entrou para o convento franciscano de São Boaventura de Macacu, Porto das Caixas (Itaboraí), Capitania do Rio de Janeiro. Em 1761, fez seus votos solenes e, um ano depois, foi admitido à ordenação sacerdotal. Foi, então, enviado para o convento de São Francisco, em São Paulo, a fim de aperfeiçoar os seus estudos de filosofia e teologia.
Frei Leandro Costa chamou atenção para o fato de que frei Galvão, “o primeiro santo brasileiro”, é “franciscano” e, “curiosamente, a primeira missa celebrada no Brasil foi pelos frades”. “Deus provê, dá-nos a graça de ter o primeiro santo brasileiro dessa semeadura”.
Segundo ele, frei Galvão “se destaca muito” dentro “da vida religiosa franciscana”. Ainda “muito jovem” e devido “aos dons que trazia consigo e que Deus lhe deu”, ele assumiu como guardião do Convento de São Francisco, em São Paulo (SP). “E a guardiania é o cuidado da casa e dos seus co-irmãos, dos confrades”, ressaltou.
Também foi porteiro, que “é quem tinha contato com toda a sociedade”. “Então, todas as grandes personalidades paulistanas, frei Galvão tinha contato. Ele tinha jeito de falar, sabia se comunicar, era inteligente o suficiente para poder mediar as situações”, disse o vigário.
“Mas também”, acrescentou, “na portaria em um convento franciscano, para quem conhece a história sabe que é o lugar onde o necessitado bate sem dificuldade, existe uma liberdade do necessitado vir ao frade. E frei Galvão se ocupou disso”.
Frei Leandro citou ainda a função ocupada por frei Galvão como confessor, “que é a expressão da sua vida religiosa, ele era o confessor de São Paulo”.
À medida que frei Galvão “ia vivendo sua vida religiosa”, contou o frei Leandro, “Deus expressa na vida dele a sua glória, fazendo dele um homem com dons extraordinários”. Entre esses dons está o da levitação, “um dos milagres representados em um painel no presbitério do santuário”.
Segundo frei Leandro, esse dom da levitação levou inclusive a criação de uma jaculatória, “na piedade popular” que dizia: “Meu frei Galvão, você que não pisa no chão, na minha aflição, dai-me consolação”. A versão hoje usada no santuário não faz mais referência ao milagre: “Na minha aflição, dai-me consolação, meu santo frei Galvão”.
O santo também tinha “o dom da bilocação”. O vigário narrou um episódio de um moribundo em Potunduva, interior de São Paulo, que ia morrer sem confissão e invocou frei Galvão. O frade, porém, estava em São Paulo celebrando uma missa e, naquele momento, “pediu que todos rezassem por uma pessoa que morria”. “Segundo a história, ele apareceu em Potunduva ao homem que morria e este homem se confessou e morreu”.
Frei Leandro citou ainda o dom de “perceber as coisas que a pessoa fez no passado e prever as que via no futuro”.
Em 1774, frei Galvão fundou o Recolhimento, hoje Mosteiro da Luz, das irmãs concepcionistas. O próprio frei Galvão projetou e trabalhou na construção do recolhimento, incluindo a capela.
“O Mosteiro da Luz é uma expressão material de um compromisso para além do serviço ministerial ali do altar”, disse o frei Leandro.
Segundo o frade, havia naquela época uma religiosa, Helena Maria do Sacramento, “que tinha visões místicas e frei Galvão foi convidado para interpretar, para ver a veracidade dessas visões, dos sonhos que ela tinha”. No sonho, a irmã via Jesus e, debaixo dela, ovelhas, que “eram outras irmãs”. Frei Galvão foi chamado para interpretar esse sonho e verificar a veracidade do sonho. Em seguida, “o bispo permitiu a construção de um recolhimento”. Depois de um tempo, a irmã Helena Maria morreu e frei Galvão “levou adiante a obra com outras irmãs”.
Segundo frei Leandro, frei Galvão não chegou a ver a obra concluída, embora a tenha “idealizado” e começado. “Tem até nas paredes do quarto dele rabiscos, o que seria. Ele desenha uma igreja com duas torres”, ao contrário do que foi construído, com uma torre.
Mais tarde, a idealização do Mosteiro da Luz deu a frei Galvão “o título de patrono dos construtores civis”.
Segundo frei Leandro Costa, outro dado que “é muito eloquente” na vida de frei Galvão é sua devoção mariana, particularmente a “devoção dele a Maria Imaculada”.
“Em 1766, isso é testificado, ele escreve a sua carta de consagração, e ao final dessa carta ele assina, Frei Antônio de Sant’Anna Galvão”, assinatura feita “com o próprio sangue”, contou o vigário do santuário. Segundo ele, essa consagração “perpassa a vida de frei Galvão do começo ao fim, tudo que ele fez, todas as obras que ele fez, todas as suas atitudes e as pílulas da fé, no fundo, são uma devoção mariana”.
O vigário do santuário ressaltou ainda o fato de a imagem de Nossa Senhora Aparecida ter sido encontrada em 1717 em Guaratinguetá, cidade onde frei Galvão nasceu anos depois, em 1739. “Naquela época não era a cidade de Aparecida como conhecemos hoje, mas sim Guaratinguetá”, disse.
Embora muitos considere que muitos aspectos da vida de frei Galvão ainda precisam ser mais conhecidos pelos católicos brasileiros, frei Leandro contou que tem percebido que “a devoção a ele tem aumentado”. Este ano, para a festa de frei Galvão, que começou dia 16 e segue até o dia 26 de outubro, a estimativa é de receber cerca de 100 mil pessoas.
Atualmente, no santuário, são celebradas sete missas e, segundo o vigário, participam “pessoas da região, das cidades vizinhas como Lorena, Aparecida, Cachoeira Paulista, Potim, mas também de outros lugares”. “O afluxo de pessoas tem aumentado muito”, disse o frade, ressaltando que veem “gente de norte a sul vindo ao santuário” e também de outros países, “como a Polônia”.
Frei Leandro disse perceber também um aumento na demanda pelas pílulas de fé, que são produzidas no santuário e “distribuídas para todo o Brasil”. “Muitas pessoas ligam pedindo”, disse.
Além disso, as pílulas também se tornaram conhecidas fora do Brasil e “há vários países que pedem”. Inclusive, as pílulas já foram traduzidas para o inglês e há projeto para a tradução ao espanhol.
Natalia Zimbrão é formada em Jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É jornalista da ACI Digital desde 2015. Tem experiência anterior em revista, rádio e jornalismo on-line.
Hoje é dia de santo Antônio de Sant’Anna Galvão, o primeiro santo brasileiro
A Igreja celebra hoje (25) a memória litúrgica do primeiro santo nascido no Brasil, santo Antônio de Sant’Anna Galvão, conhecido como são frei Galvão. O franciscano fundador do Mosteiro da Luz, que até hoje é referência na cidade de São Paulo, também é recordado por suas pílulas.
Devoção mariana de frei Galvão inspira terço da consolação rezado em seu santuário
Uma prática tradicional do santuário de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, em Guaratinguetá (SP), é a oração do terço da consolação, que acontece todos os meses, com transmissão pela internet, entre os dias 17 e 25. A oração é inspirada no próprio frei Galvão e em sua devoção mariana, particularmente à Imaculada Conceição.
Hoje (25), a Igreja celebra a festa de santo Antônio Sant’Anna Galvão, mais conhecido como frei Galvão, o primeiro santo brasileiro, que também é muito recordado por suas pílulas, que são muito requisitadas até hoje por milhares de devotos.
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Fonte: ACI Digital
URL Original: https://www.acidigital.com/noticia/65115/frei-galvao-e-um-ilustre-desconhecido-diz-franciscano-que-atua-no-santuario-do-primeiro-santo-brasileiro
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