13 Ouvindo o que havia ocorrido, Jesus retirou-se de barco, em particular, para um lugar deserto. As multidões, ao ouvirem falar disso, saíram das cidades e o seguiram a pé. 14 Quando Jesus saiu do barco e viu tão grande multidão, teve compaixão deles e curou os seus doentes. 15 Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Este é um lugar deserto, e já está ficando tarde. Manda embora a multidão para que possam ir aos povoados comprar comida”.
16 Respondeu Jesus: “Eles não precisam ir. Dêem-lhes vocês algo para comer”. 17 Eles lhe disseram: “Tudo o que temos aqui são cinco pães e dois peixes”.
18 “Tragam-nos aqui para mim”, disse ele. 19 E ordenou que a multidão se assentasse na grama. Tomando os cinco pães e os dois peixes e, olhando para o céu, deu graças e partiu os pães. Em seguida, deu-os aos discípulos, e estes à multidão. 20 Todos comeram e ficaram satisfeitos, e os discípulos recolheram doze cestos cheios de pedaços que sobraram. 21 Os que comeram foram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
Quando observamos o acordo comercial entre a Europa e os países do Mercosul à luz dessa passagem, emerge uma metáfora poderosa sobre como a divisão responsável dos bens — sobretudo da matéria-prima concedida pelo Criador — pode gerar prosperidade para todos.
No Evangelho, Jesus se depara com uma multidão faminta. Humanamente, os recursos eram insignificantes: cinco pães e dois peixes. Diante da escassez aparente, os discípulos hesitam. O medo da falta fala mais alto do que a confiança. Ainda assim, Jesus os convida a um gesto radical: oferecer o pouco que se tem. Ele toma os pães, dá graças, parte-os e os entrega para que sejam distribuídos. O texto sagrado nos lembra que todos comeram e ficaram satisfeitos, e ainda sobraram cestos cheios. A abundância nasce no exato momento da partilha.
Essa lógica do evangelho confronta a mentalidade de retenção que frequentemente domina as relações econômicas globais. No cenário do acordo entre Europa e Mercosul, vemos dois blocos com dons distintos: de um lado, tecnologia, capital e mercados consolidados; de outro, terras férteis, alimentos, energia e matérias-primas que brotam da criação.
Quando cada parte tenta preservar apenas seus próprios interesses, o resultado tende à desconfiança e à estagnação. Mas quando há disposição para compartilhar — com justiça, equilíbrio e respeito — o “milagre” econômico se torna possível.
Jesus diz aos discípulos, em essência, que não tenham medo: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. É um chamado à responsabilidade coletiva. No contexto comercial, isso ecoa como um convite para não temer a abertura, nem a cooperação. A matéria-prima não é apenas um ativo econômico; ela é dom da criação, destinada ao bem comum. Quando esses dons são partilhados de forma ética e solidária, eles não se esgotam — multiplicam-se em valor, emprego, desenvolvimento e dignidade.
Da mesma forma, acordos internacionais só se tornam verdadeiramente frutíferos quando superam a lógica do ganho unilateral e assumem a vocação da reciprocidade. Compartilhar produtos, conhecimento e recursos naturais com responsabilidade não empobrece; ao contrário, cria cadeias de abundância que alcançam agricultores, trabalhadores, consumidores e futuras gerações.
O Evangelho também ressalta que Jesus manda o povo se sentar, organizar-se. A partilha não é caótica; ela exige ordem, compromisso e visão. Assim também nos acordos comerciais: regras claras, proteção ambiental, respeito social e equilíbrio são condições para que a abundância não seja apenas prometida, mas efetivamente experimentada.
No fim, a mensagem é a mesma, ontem e hoje: o medo da escassez paralisa, a partilha gera abundância. Quando os dons do Criador — a terra, os frutos, o trabalho humano — são compartilhados com espírito de justiça, o pouco se torna muito. A multiplicação dos pães e peixes continua a acontecer sempre que nações, como pessoas, escolhem confiar que dividir não é perder, mas o caminho mais seguro para que todos tenham em plenitude.
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Fonte: Aleteia
URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/02/03/acordo-do-mercosul-e-o-evangelho-de-mateus-todos-comeram-e-ficaram-satisfeitos/
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