Frente às eleições de 2026, documento da CNBB Sul 1 oferece critérios éticos para guiar a cidadania longe de polarizações extremas.
Quando a gente analisa uma sociedade e as eleições, é impossível não fazer um paralelo com o corpo humano. Um organismo só funciona direito se todas as células trabalharem juntas em favor da vida. Se um grupo resolve atacar o outro, temos uma doença autoimune, em que o nosso corpo destrói a si mesmo. Na política, o mecanismo é idêntico. A intolerância funciona como uma toxina que envenena o ambiente e adoece a nossa capacidade de conversar e viver em harmonia.
Estamos nos aproximando das Eleições 2026, período que costuma elevar a ansiedade do país. É nessa hora que precisamos buscar o equilíbrio da razão. Pensando nisso, a CNBB Sul 1 apresentou o subsídio “Reflexões para as Eleições 2026 – Perguntas e Respostas à luz da Doutrina Social da Igreja”, material voltado para paróquias e toda a sociedade civil.
A proposta não é ditar regras partidárias. O objetivo é preventivo: vacinar o eleitor contra o vírus da desinformação e ajudá-lo a fazer um diagnóstico lúcido da realidade, usando a ética e o bem comum como bússolas para o exercício consciente da cidadania.
O documento deixa explícito que a Igreja Católica não indica candidatos nem se vincula a legendas. O papel de uma liderança espiritual é orientar para o bem-estar do todo, oferecendo critérios éticos para o discernimento dos fiéis. O clero deve manter-se fora das disputas partidárias para preservar sua missão pastoral, deixando os leigos livres para a atuação na vida pública.
A Doutrina Social lembra que a política, vivida como serviço, é uma das formas mais elevadas de caridade e amor ao próximo. Afinal, lutar por saneamento, educação e saúde pública nada mais é do que cuidar das pessoas em larga escala. Votar deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a ser uma responsabilidade moral profunda, comprometida com a justiça social e a dignidade humana.
Para entender como esse material nos ajuda no dia a dia, vale a pena destacar as questões centrais do subsídio, respondidas de forma direta e sem rodeios:
A polarização e as opiniões radicais fazem bem para o país? Não. A polarização é a negação do bem comum porque acolhe um lado e rejeita totalmente o outro, criando barreiras invisíveis. A convivência civil e política saudável não se reduz a direitos e deveres; ela se fundamenta na amizade social e na fraternidade. Sem esses vínculos sociais, a política perde sua profundidade e se desumaniza por completo, virando uma disputa violenta de egos.
Como as notícias falsas afetam a nossa saúde democrática? As fake news agem exatamente como um vírus contagioso. Interesses ideológicos jamais justificam distorções da realidade que comprometem o discernimento coletivo. Como lembra o Papa Francisco, o melhor antídoto são pessoas livres da ambição, prontas a ouvir e responsáveis no uso da linguagem, deixando a verdade emergir pelo diálogo.
O que se deve avaliar e esperar de um bom candidato? Espera-se o compromisso ético com o serviço ao povo e o desapego ao poder. A autoridade deve ser exercida com paciência, humildade e moderação, evitando a vaidade pessoal. A corrupção política deve ser firmemente rejeitada: ela é uma deformação grave do organismo democrático, um câncer que destrói a confiança social e transforma o poder público em um mero instrumento de privilégio privado.
O que o cidadão precisa evitar durante o processo eleitoral? O subsídio traz alertas práticos que servem como preventivos: evitar votar por interesse pessoal ou troca de favores imediatos, fugir da idolatria cega de candidatos — nenhum político é um salvador da pátria absoluto — e combater a omissão generalizada. Deixar de participar enfraquece a democracia. O voto deve ser um ato de discernimento maduro, reflexão e compromisso real com o futuro coletivo.
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Fonte: Aleteia
URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/08/13/eleicoes-2026-igreja-atencao-a-intolerancia-voto-nao-e-uma-torcida/
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