O administrador apostólico de Cádiz e Ceuta, Espanha, Ramon Valdivia. | Arquidiocese de Sevilha
O administrador apostólico de Cádiz e Ceuta, Espanha, Ramon Valdivia, analisou a situação em Ceuta depois da invasão a nado da fronteira de Tarajal, realizada por cerca de 70 mil pessoas na semana passada.
"Estamos cientes da missão histórica que Ceuta representa para toda a nossa pátria; somos um bastião da fé, que proclama em voz alta o valor da fé na construção de um país. É por isso que queremos erguer os olhos e ver no horizonte o Senhor, que, caminhando sobre as águas do estreito, se aproxima do nosso barco e nos diz: Não tenham medo, sou Eu", disse Valdivia em comunicados divulgados pela diocese em resposta a vários pedidos de entrevista recebidos nos últimos dias.
Valdivia, referindo-se às festividades da padroeira, disse que "em torno de Santa Maria de África compreende-se a fé de um povo que viveu séculos de dificuldades" e que, depois de episódios como o ocorrido há uma semana, "é verdade que há raiva, medo e, por vezes, até mesmo vontade de desistir, mas não queremos desistir".
"A presença da Virgem Maria oferece conforto, paz e segurança em Deus, e incentiva a compaixão, ao mesmo tempo que expressa a fé no Deus que, tendo-se feito homem, venceu a morte. Oferecer essa resposta implica uma resposta do amor de Deus", disse ele.
O bispo disse também que "a Igreja demonstrou sua maturidade em meio a uma crise sem precedentes", embora ainda "continue acompanhando com preocupação esses eventos que perturbam nossa paz", dizendo que "essa é a segunda vez desde a entrada maciça em maio de 2021".
"Sentimo-nos vulneráveis e, de certo modo, necessitados de proteção", disse o bispo, que, inspirado pela segunda carta de são Paulo aos Coríntios, disse: "Estamos aflitos, mas não desesperados. Confiamos em Deus acima de tudo”.
Ramón Valdivia disse que a tarefa no futuro próximo envolve "reconstruir a confiança, encorajar aqueles que sofreram com o medo e a ansiedade e trabalhar por uma saída digna para aqueles que entraram ilegalmente", levando em conta que "sentimentos muito difíceis de erradicar surgiram em nossos corações, devido à necessidade de cuidar dos outros e, ao mesmo tempo, proteger o espaço comum".
Para o bispo, as palavras do papa Leão XIV sobre essa crise, proferidas no Ângelus no último domingo (2), são como "um bálsamo de consolação por saber que estamos no coração do papa".
Leão XIV disse acompanhar com preocupação "a situação alarmante em Ceuta" e pediu, pela intercessão de Nossa Senhora da África, "que sejam encontradas soluções de paz, estabilidade e justiça".
Essas palavras, disse o bispo, "ajudaram-nos a orientar a nossa missão pública nesta dificuldade, promovendo a paz, a estabilidade e a justiça”.
Nicolás de Cárdenas é um jornalista espanhol especializado em informação sociorreligiosa. Desde julho de 2022 é correspondente da ACI Prensa na Espanha.
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O Departamento de Migração da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) enviou um comunicado no qual expressa “sua preocupação” pela situação vivida nas cidades espanholas de Ceuta e Melilla, localizadas no Norte de África. Nas últimas segunda e terça-feira, mais de 8 mil marroquinos, muitos deles menores de idade, entraram em Ceuta a pé, a nado ou em pequenos barcos, devido ao relaxamento dos controles na fronteira do Marrocos. Ceuta é um encrave espanhol na África.
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Fonte: ACI Digital
URL Original: https://www.acidigital.com/noticia/69247/ceuta-e-um-bastiao-que-proclama-o-valor-da-fe-diz-bispo
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