comunidade cristã de A Terra Santa é muitas vezes negligenciada e esquecida. No entanto, é essencial para a preservação do rico patrimônio cristão da região. Formando uma pequena comunidade de apenas 1 a 2% da população, cerca de 50.000 pessoas, persiste com uma força notável, apesar das enormes dificuldades. Neste período intenso de conflito, como é o seu dia a dia? Que força a leva a permanecer na Terra Santa, apesar de tudo o que ela está passando? A edição americana de Aleteia conversou com o padre Firas Khoury, pároco da Igreja Católica Grega de São Jorge de Zababdeh. Ele fornece uma visão geral concreta da vida cotidiana dos cristãos de Cisjordânia.
"Eu chamo os cristãos que vivem aqui de "pedras vivas", diz o padre Khoury. Para ele e sua comunidade, permanecer na Terra Santa não é apenas uma questão de sobrevivência, mas uma missão espiritual: "Se os cristãos desaparecerem daqui, o que resta? Resígios arqueológicos e lugares sagrados, certamente, mas esses lugares nunca contarão a história do meu compatriota, Jesus Cristo." Enraizada por milênios nesta terra, a família do padre Khoury incorpora essa continuidade histórica e espiritual. "Meus avós e meus ancestrais são Palestinos. Não nutrimos nenhum ódio ou atos de violência contra ninguém, mas nos últimos setenta anos fomos vítimas de injustiças."
Desde outubro de 2023, a situação dos cristãos palestinos piorou drasticamente. De acordo com a Ajuda à Igreja em Perigo, a violência perpetrada pelos colonos aumentou 25%, com 111 ataques registrados contra propriedades cristãs. Dom William Shomali, bispo auxiliar do Patriarcado Latino de Jerusalém, denuncia agressões "quase diárias": ameaças, destruição de bens, incêndios de veículos, ocupação de terras pertencentes a famílias cristãs ou congregações religiosas.
Em Taybeh, Birzeit ou Urtas, perto de Belém, os colonos se apropriam das terras cultivadas por cristãos há gerações. "Eles vieram ocupar uma colina pertencente a um convento de irmãs, com o objetivo de construir uma nova colônia lá", relata Dom Shomali. Na vila de Beit Sahour, uma bandeira israelense foi plantada em um território ocupado, apesar da existência de um título de propriedade em nome de uma família cristã. Em 2025, a própria Igreja de São Jorge em Zababdeh foi incendiada. "Estamos sofrendo a violência dos colonos. Eu não saio de Zababdeh, porque se eu sair, eles veem meu carro palestino e batem nele com pedras e garrafas", diz o padre Khoury. "Não temos mais liberdade de expressão. Não temos mais liberdade de movimento. Tudo o que nos é permitido é orar na igreja."
Além da violência física, é a perda de renda que mais desespera a comunidade. Desde outubro de 2023, as fronteiras estão fechadas e milhares de cristãos palestinos que trabalhavam em Jerusalém perderam seus empregos. "Sou padre de uma comunidade que vive no desespero. A maioria dos pais não conseguiu pagar as mensalidades de seus filhos", diz o padre Khoury. Para tentar superar essa catástrofe econômica, o padre contribui para a criação de pequenas empresas locais: fabricação de sabão de azeite, objetos de madeira, incenso. Apesar de tudo, a Escola Católica de Zababdeh, que recebe 1.200 alunos cristãos e muçulmanos, conseguiu manter suas portas abertas. "É aqui que você encontrará esperança para os palestinos; nos olhos das crianças", garante ele.
Como continuar segurando? O padre Khoury invoca a "fé de Eliseu", em referência ao profeta bíblico cercado por um exército inimigo, que vê as colinas cheias de tanques de fogo enviados por Deus. "Temos esperança, porque temos a fé de Eliseu. Mais deles estão conosco do que contra nós. E não estamos sozinhos. Deus sofre conosco.” Essa fé alimenta sua missão de "construir pontes de paz" entre as comunidades judaica e muçulmana local, apesar da discriminação diária. O padre Khoury lança um apelo urgente aos cristãos de todo o mundo. Em primeiro lugar, ele convida a construir pontes entre Israel e a Palestina: "Precisamos de sua amizade e solidariedade, especialmente em tempos de guerra. Os americanos e os europeus podem nos ajudar a convencer Israel de que os palestinos não são seus inimigos." Mas também e acima de tudo, o padre Khoury exorta a orar por Israel e pela Palestina: "Ore ao Deus da justiça e ao Deus da paz para que eles acabem com esta guerra abominável". Finalmente, o pároco da paróquia de São Jorge de Zababdeh incentiva os cristãos a viajar para a Terra Santa. "Convidamos você a vir nos visitar, ouvir nossas histórias, as de nossos filhos", diz ele. E para concluir: "Venha descobrir nossa escola católica onde alunos cristãos e muçulmanos estudam juntos e trabalham pela paz."
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Fonte: Aleteia
URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/04/07/deus-sofre-conosco-o-grito-do-padre-khoury-paroco-na-cisjordania/
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