Bandeirinha de são João na festa junina. | Crédito: Felipe Queiroz/Shutterstock.
No mês de junho são celebradas as tradicionais festas juninas que estão enraizadas na cultura e no folclore. Sua origem e expressões são uma rica demonstração da religiosidade popular brasileira.
As festas juninas recordam santo Antônio (13 de junho), são João Batista (cuja natividade é celebrada em 24 de junho) e são Pedro (29 de junho). ACI Digital traz um pequeno elenco de aspectos religiosos destas comemorações:
Apesar de terem se tornado características do Nordeste brasileiro, as festas juninas tiveram origem na Europa. Na Antiguidade, celebrava-se nesta época do ano deuses pagãos que seriam responsáveis pelo clima – já que neste período ocorre o solstício de verão no hemisfério norte – e pelas boas colheitas.
Com o passar dos anos, quando o catolicismo foi se tornando religião predominante na região, foram incorporadas algumas festas pagãs, que passaram a ter caráter religioso e ajudavam a propagar a fé. Essas festas, então, passaram a se chamar “joaninas”, em homenagem a são João. A tradição chegou ao Brasil com os portugueses.
Quando os jesuítas chegaram ao Brasil, no século XVI, trouxeram a tradição das festas religiosas e perceberam que isso ajudava na missão de catequizar.
Eles também notaram que as festas juninas coincidiam com o período em que os índios faziam seus rituais pela fertilidade do campo e essa também passou a ser uma festividade para agradecer pela fartura das colheitas, reforçar os laços familiares e rezar para que a próxima colheita fosse farta.
Em razão da época propícia para a colheita do milho, as comidas feitas deste cereal integram a tradição, como a canjica e a pamonha.
As quadrilhas são inspiradas nas danças marcadas dos nobres franceses, de onde vem os gritos “Anavam! Anarriê!”, que, na verdade, seriam os comandos “En avant” e “En arriere”, que em francês significam ir para frente e para trás.
Dos espanhóis e portugueses, veio a dança de fitas. E até mesmo os chineses influenciaram esses festejos, com os fogos de artifício, pois, segundo consta, foi na China que teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogo. Nas festas juninas, os fogos passaram a ter um sentido próprio. De acordo com a tradição, seriam fogos para “acordar são João”.
Segundo a tradição, essa prática remeteria a um acordo feito entre Maria e sua prima Isabel. Esta teria que acender uma fogueira no topo de um monte para avisar sua prima que seu filho, João, havia nascido.
Na véspera do dia de são João, muitos no Nordeste do Brasil vão se reunir em família, com vizinhos e amigos para a tradicional ceia junina. Essa prática remete à ceia natalina, realizada na véspera do Natal esperando o nascimento do Menino Jesus. No caso da ceia junina, espera-se pelo nascimento de João Batista.
Ficou conhecido como santo casamenteiro, ao qual as mulheres recorrem quando desejam encontrar um marido. Segundo consta, esse título se deve a um fato: uma jovem pobre teria pedido a bênção do então frei Antônio porque não conseguia fazer o casamento por causa da baixa condição financeira de sua família, que não teria dinheiro para pagar o dote, as vestimentas e o enxoval. O frei Antônio teria abençoado a moça e pedido que confiasse. Passados alguns dias, a mulher teria recebido tudo o que precisava e conseguiu se casar.
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É muitas vezes confundido com João evangelista. João Batista era filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus. Anunciou o nascimento do prometido Messias, Jesus Cristo, “preparando os caminhos do Senhor”. Ele batizou muitos judeus, incluindo Jesus, no rio Jordão. Além do próprio Jesus e de Nossa Senhora, é o único santo do qual a Igreja celebra o nascimento.
Conhecido como o santo que tem as chaves do céu. Segundo as sagradas Escrituras, Jesus confiou “as chaves do céu” a Pedro, ou seja, foi dada a este santo, a autoridade de pastorear a Igreja, interligando-a ao céu. Seu sucessor é o papa.
Em artigo publicado em 2023, o arcebispo auxiliar de Belém do Pará (PA), dom Antônio de Assis, falou sobre a importância da celebração dos santos juninos.
“As imagens dos santos, nos convidam a sermos autênticos discípulos de Jesus Cristo; os santos são modelos de virtudes, são nossos intercessores; nos indagam sobre a necessidade da santidade, da vida exemplar, da tradução da fé em atitudes concretas”, disse.
“A comemoração dos santos juninos é um convite para ressaltar e refletir sobre as virtudes deles, repropondo aos participantes o ideal da fé, da esperança, da vida espiritual, do chamado à santidade, do amor à Igreja, da paixão por Deus, da caridade”, acrescentou.
Natalia Zimbrão é formada em Jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É jornalista da ACI Digital desde 2015. Tem experiência anterior em revista, rádio e jornalismo on-line.
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Fonte: ACI Digital
URL Original: https://www.acidigital.com/noticia/41229/festas-juninas-sao-expressao-da-religiosidade-popular-brasileira
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