As Missionárias Franciscanas de Maria em Aleppo, Síria, têm uma longa história de atuação na educação, no serviço social e no trabalho humanitário. Agora, depois de 112 anos de ministério, as freiras fecharão seu convento e deixarão a cidade, marcando o fim de um importante capítulo na história de Aleppo.
Com a divulgação da notícia da partida das freiras, surgiram perguntas sobre os motivos da saída e quem tomou a decisão. A freira Pierrette Jabbour, conselheira regional da congregação para o Oriente Médio, disse à ACI MENA, agência em árabe da EWTN, que a decisão não estava relacionada a questões políticas ou de segurança, tendo sido tomada no capítulo regional da congregação em 2018.
Ela disse que as razões são inteiramente internas e mostram o número decrescente de freiras, o aumento da idade média delas e a escassez de novas vocações religiosas. Reestruturações semelhantes também estão ocorrendo em conventos no Egito e no Líbano.
Segundo os regulamentos da congregação, cada comunidade religiosa deve ter pelo menos quatro freiras.
Em maio, os salesianos anunciaram que assumiriam a responsabilidade pelo convento franciscano. Mas a notícia recebeu pouca atenção do público até que uma missa de ação de graças foi celebrada para marcar a conclusão do ministério das freiras.
Em mensagem gravada, o bispo Hanna Jallouf, vigário apostólico dos católicos de rito latino na Síria, disse que a congregação vem reorganizando sua presença no país há cerca de cinco anos.
Ele disse que as freiras decidiram fortalecer sua presença na província de Hasakah, no nordeste do país, onde são a única congregação religiosa feminina católica atuando na região. Escolheram também reforçar seu ministério em Damasco, enquanto Aleppo já abriga várias comunidades religiosas, tanto masculinas quanto femininas. Por esses motivos, e em coordenação com a Santa Sé, padres salesianos darão continuidade à missão das freiras franciscanas no convento.
Jallouf também descartou rumores que ligavam a partida das freiras à recente visita do presidente da França, Emmanuel Macron, à Síria.
O reverendo Ibrahim Nasir, presidente do Sínodo Nacional Evangélico na Síria e no Líbano, descreveu a despedida como um momento solene e de gratidão. Ele disse que a partida dessa missão histórica é uma perda significativa para Aleppo e para a sua presença cristã. "Cada instituição que fecha e cada comunidade religiosa que parte cria uma lacuna difícil de preencher", disse ele.
Nasir disse também que a partida das freiras não pode ser dissociada dos desafios mais amplos enfrentados pelos cristãos na Síria, especialmente em Aleppo, onde o declínio no número de fiéis, a emigração contínua e o fechamento de muitas instituições educacionais e pastorais permanecem preocupações sérias.
As Missionárias Franciscanas de Maria chegaram pela primeira vez a Aleppo em 1914, a convite do bispo maronita da cidade. Elas fundaram o Centro Nossa Senhora de Lourdes perto da catedral maronita.
Embora tenham sido forçadas a partir na Primeira Guerra Mundial, elas voltaram em 1919 e retomaram sua missão, apesar da pobreza e das dificuldades generalizadas.
Inicialmente, abriram uma escola no distrito de Aziziyah, antes de fundarem o Convento e Escola Franciscana no bairro de Sabil, em 1929. Ao longo dos anos, a escola tornou-se uma das principais instituições de ensino de Aleppo.
As freiras combinaram a educação com o cuidado de órfãos, assistência aos pobres e apoio a refugiados, ajudando a formar gerações de estudantes de diferentes origens religiosas e sociais.
O convento também se tornou um centro para atividades de escotismo feminino e um lugar que incentivava a amizade e a coexistência entre cristãos e muçulmanos.
Além da educação, as freiras desempenharam um importante papel humanitário e médico na cidade.
Eles também administraram o orfanato Sheibani, que cuidava de crianças órfãs nos massacres otomanos. Também administraram o Hospital Al Razi por muitas décadas, contribuindo para a melhoria dos serviços médicos e a redução das taxas de mortalidade.
Depois da nacionalização da escola em 1967, as freiras continuaram seu ministério pastoral e social por meio de catequese, programas infantis, assistência a estudantes universitários e acolhimento de grupos e associações da Igreja. Elas também atuaram no bairro de Jabal al Sayyideh, também conhecido como Sheikh Maqsoud, onde se dedicaram ao ministério pastoral, à formação cristã e ao combate ao desemprego por meio do ensino de habilidades profissionais práticas.
Souhail Lawand é escritora da ACI MENA, pesquisadora de história romana e cristã, educadora e líder de escoteiros.
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Fonte: ACI Digital
URL Original: https://www.acidigital.com/noticia/69027/freiras-franciscanas-encerram-112-anos-de-presenca-em-aleppo-siria
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