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O Papa chamou o Principado de Mônaco a se tornar um laboratório da Doutrina Social da Igreja, promovendo especialmente a defesa da vida, desde a sua concepção até o seu fim natural."Vocês estão entre os raros países do mundo a ter como religião de Estado a fé católica." Foi com essas palavras que Leão XIV destacou, neste sábado, 28 de março, do balcão do palácio principesco de Mônaco, o caráter único deste microestado diante de 8.000 monegascos reunidos sob um sol radiante. Uma singularidade que, segundo o Papa, implica uma responsabilidade particular para o Principado.
Primeiro papa dos tempos modernos a pisar o solo monegasco, Leão XIV insistiu nas implicações concretas desse status: "Ela nos coloca diante da soberania de Jesus, que compromete os cristãos a se tornarem no mundo um Reino de irmãos e irmãs, uma presença que não oprime, mas eleva, que não separa, mas conecta."
O Papa saudou especialmente o compromisso de Mônaco de "sempre proteger com amor cada vida humana, em todo momento e em todas as condições, para que ninguém jamais seja excluído da mesa da fraternidade". Uma referência explícita à recusa do príncipe Albert II em legalizar o aborto em seu país, fazendo do Principado um dos últimos bastiões europeus da proteção da vida por nascer.
Levem a todos a luz do Evangelho, para que a vida de cada homem e de cada mulher seja defendida, desde a sua concepção até o seu fim natural.Essa fidelidade aos valores cristãos foi destacada desde o início da visita pelo próprio príncipe, que evocou a tradição de "fidelidade ao papa" de Mônaco, terra "banhada por valores cristãos", e as lutas comuns travadas com a Santa Sé pelo "respeito à dignidade humana em todas as suas dimensões".
Um pouco mais tarde, durante a liturgia das horas celebrada na catedral de Mônaco, o Papa voltou a insistir na necessidade imperiosa de proteger a vida. Ele afirmou que a missão da Igreja Católica era "defender o homem: todo o homem e todos os seres humanos". Incentivando os católicos de Mônaco – que representam 82% da população – a anunciar "o Evangelho da vida, da esperança e do amor", ele os encorajou a "oferecer novos referenciais capazes de conter esses impulsos de secularismo que correm o risco de reduzir o homem ao individualismo e de fundar a vida social na produção de riquezas". "Quero encorajá-los a realizar um serviço apaixonado e generoso na evangelização. (…) Levem a todos a luz do Evangelho, para que a vida de cada homem e de cada mulher seja defendida, desde a sua concepção até o seu fim natural", exortou Leão XIV.
E lançou aos monegascos uma série de apelos para um exame de consciência: "Defendemos realmente o ser humano? Protegemos a dignidade da pessoa preservando a vida em todas as suas etapas?"
Durante seu discurso no palácio, Leão XIV confiou assim uma "missão muito particular" ao Principado: tornar-se um lugar de "aprofundamento da Doutrina Social da Igreja", elaborando "boas práticas, locais e internacionais" capazes de colocá-la em prática concretamente.
O Papa também saudou a convergência entre Mônaco e o Vaticano na questão da "ecologia integral", um campo no qual o Principado tem se empenhado especialmente nos últimos anos. O príncipe Albert II também recordou as lutas comuns travadas com a Santa Sé nos campos da paz e da defesa da natureza.
"Graças a uma fé antiga, vocês serão assim especialistas nas coisas novas", declarou o Papa, fazendo referência à Rerum novarum, a encíclica social fundadora de Leão XIII que motivou sua escolha do nome papal. Para Leão XIV, o pensamento social da Igreja Católica pode ser "muito esclarecedor mesmo em uma sociedade pouco religiosa e muito secularizada", em uma época "em que é tão difícil para muitos ter esperança".
O Papa também celebrou o "dom da pequenez" de Mônaco, afirmando que "na Bíblia, são os pequenos que fazem a história", em um tempo em que "a demonstração de força e a lógica da onipotência ferem o mundo e comprometem a paz".
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Fonte: Aleteia
URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/03/28/leao-xiv-confiou-a-monaco-uma-missao-especial/
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