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Leão XIV pede uma atitude constante para aqueles que não têm onde morar, em mensagem sobre Campanha da Fraternidade

Leão XIV pede uma atitude constante para aqueles que não têm onde morar, em mensagem sobre Campanha da Fraternidade Dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB na abertura da Campanha da...

Leão XIV pede uma atitude constante para aqueles que não têm onde morar, em mensagem sobre Campanha da Fraternidade Dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB na abertura da Campanha da Fraternidade 2026 | Fiama Tonhá/CNBB “É meu desejo que a reflexão sobre a dura realidade da falta de moradia digna, que afeta tantos irmãos nossos, leve não somente a ações isoladas - sem dúvida, necessárias”, mas “gere em todos a consciência de que “a partilha dos dons que o Senhor generosamente nos concede não pode restringir-se a um período do ano, a uma campanha ou a algumas ações pontuais, mas deve ser uma atitude constante, que nos compromete a ir ao encontro de Cristo presente naqueles que não têm onde morar”, escreveu o papa Leão XIV em sua primeira mensagem  à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por ocasião do lançamento da Campanha da Fraternidade 2026, hoje (18), nesta Quarta-feira de Cinzas no auditório dom Helder Câmara, em Brasília (DF). A mensagem do papa Leão XIV foi escrita no dia 11 de fevereiro, dia da memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes. Desde 1970, a pedido do presidente da CNBB, o papa envia uma mensagem de apoio à iniciativa da Conferência. A Campanha da Fraternidade “não existe em outros países. É um 'jeitão' brasileiro de viver a Quaresma, unindo fé e vida”, como disse o arcebispo de Campo Grande (MS), dom Dimas Lara Barbosa, durante a coletiva de apresentação da Campanha da Fraternidade 2025, sobre a ecologia integral. Ela foi criada em 1962, pelo primeiro bispo auxiliar e administrador apostólico de Natal (RN), dom Eugênio de Araújo Sales, “como expressão da caridade e da solidariedade em favor da dignidade da pessoa humana, dos filhos e filhas de Deus”, segundo a CNBB. Em 1964, a Campanha da Fraternidade tornou-se uma iniciativa nacional da CNBB, acontecendo anualmente, durante o Tempo da Quaresma, “como caminho de conversão, solidariedade e compromisso social”, segundo o secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen. A Campanha da Fraternidade 2026 tem como tema “Fraternidade e Moradia”, sugestão feita “pela Pastoral da Moradia e Favelas e acolhido pelos bispos em fevereiro de 2024, por ser uma questão urgente em nosso meio, que clama pela nossa conversão”, disse o secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen à ACI Digital. Segundo o padre Jean Poul, o objetivo geral desta Campanha é “promover, a partir da Boa Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda a população”. O papa leão XIV disse em sua mensagem que “a Campanha da Fraternidade, momento em que”, a Igreja no Brasil  “como comunidade de fé, dirige a sua ação pastoral e caritativa aos pobres, os verdadeiros destinatários do nosso amor preferencial’’, como ele fez “questão de recordar” em sua exortação apostólica Dilexi te (Eu te amei), sobre o amor aos pobres, e como seu “santo predecessor, são João Paulo II, convidava a voltar a atenção “para os milhões de seres humanos privados de uma habitação conveniente, ou até mesmo sem qualquer habitação, a fim de despertar a consciência de todos e encontrar uma solução para este grave problema, que tem consequências negativas no plano individual, familiar e social”, em sua encíclica Sollicitudo rei socialis (A solicitude social) pelo 20º aniversário da encíclica Populorum progressio (Progresso dos Povos), escrita pelo papa são Paulo VI. “Desejo igualmente, queridos irmãos e irmãs, que as iniciativas nascidas a partir da Campanha da Fraternidade possam inspirar as autoridades governamentais a promover políticas públicas, a fim de que, trabalhando todos em conjunto, seja possível oferecer à população mais carente melhorias significativas nas condições de habitação”, disse Leão XIV. “Confio estes votos aos cuidados de Nossa Senhora, que não encontrou morada em Belém para dar à luz ao Redentor, mas que tem sua casa, como rainha e padroeira do Brasil, no Santuário Nacional de Aparecida. E, como penhor de abundantes graças, concedo de bom grado aos filhos e filhas da querida nação brasileira, de modo especial àqueles que se empenham para que todos tenham moradia digna, a Bênção Apostólica”. Ainda em sua mensagem, Leão XIV citou o sermão nº 210, de santo Agostinho em sua mensagem à CNBB, no qual diz que: “Chegamos à época solene que nos lembra o dever de nos aplicarmos à prece e ao jejum mais do que em qualquer outro tempo do ano, iluminando nossas almas e disciplinando nossos corpos”. Segundo Leão XIV, “o tempo litúrgico” da Quaresma que inicia hoje, é “um especial chamado de Deus a uma autêntica conversão, redirecionando toda a nossa vida para Ele, ao seguirmos, por meio do jejum e a penitência, os passos de Nosso Senhor que se retirou no deserto por quarenta dias”.  “Neste tempo de intensa oração, somos igualmente convidados a praticar com renovado empenho a virtude da caridade com os mais pobres e necessitados, com os quais o próprio Cristo se identifica”, disse o papa pedindo que “o Espírito Santo, autor da nossa santificação, nos conduza ao longo deste caminho”. O bispo auxiliar de Brasília, dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB, disse hoje na abertura da Campanha da Fraternidade 2026 que o lema da ação da Conferência ‘Ele veio morar entre nós’, “nos remete ao centro da fé cristã” porque “Deus não permaneceu distante, Ele entrou na história, Ele fez da humanidade à sua casa”. “E é precisamente por isso que a questão da moradia se impõe como uma urgência ética, social e espiritual”, disse o bispo. “O Brasil, como diz o papa Leão, enfrenta uma grave crise habitacional. E o texto base nos apresenta os números oficiais do déficit habitacional que impactam a vida de milhões de famílias. Não são números abstratos. São rostos, histórias, vidas marcadas pela insegurança, pela precariedade e pela exclusão”. Segundo dom Ricardo Hoepers a “nossa conversão”, “começa com a consciência que isso não é natural”. “Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco. Não podemos considerar inevitável que a desigualdade determine quem tem direito a morar com dignidade. A moradia não é privilégio. É condição básica para o exercício de outros direitos. É fundamento da dignidade humana”, disse o secretário-geral da CNBB destacando que “a tradição cristã nunca separou fé e responsabilidade histórica”. ‘Uma espiritualidade que ignora o sofrimento do povo, não é fidelidade ao Evangelho’ Campina Grande é consagrada a são Miguel Arcanjo em missa final de encontro que reuniu 140 mil pessoas Dom Ricardo Hoepers ainda disse que “a conversão que Deus pede é integral” e “não pode ser só intimista no interior dentro de nós, mas também relacional, estrutural, social”. “Por isso, uma espiritualidade que ignora o sofrimento do povo, não é fidelidade ao Evangelho”, disse Hoepers ressaltando que “a campanha da fraternidade, portanto, ela não desvia o sentido quaresmal, mas ela explicita suas exigências”. O bispo também enfatizou “que a doutrina social da Igreja, especialmente nos temas que se referem à dignidade humana, recorda que a destinação universal dos bens e a função social da propriedade tem um sentido” e “isso significa que a economia deve servir à vida”. “Isso significa que o mercado não pode se sobrepor à dignidade humana e as políticas públicas habitacionais não são concessões, mas deveres do Estado. Diante deste alerta da campanha da Fraternidade 2026, queremos lembrar que esta crise habitacional deve mobilizar a sociedade como um todo”. Ao final do seu discurso, dom Ricardo disse que a moradia “não é um tema partidário, ele é um tema humano. É um tema civilizatório”. “O modo como tratamos os mais vulneráveis revela o tipo de país que desejamos ser. A campanha da Fraternidade 2026 quer suscitar diálogo, mobilização e compromisso. Quer fortalecer iniciativas já existentes, inspirar políticas públicas eficazes, incentivar parcerias responsáveis e despertar consciência. E quero acima de tudo reafirmar que ninguém deve ficar sem casa em um país com tantas possibilidades”, disse o bispo. “Que a Páscoa nos encontre mais justos, mais fraternos e mais responsáveis e que Nossa Senhora Aparecida interceda pelo país e peçamos a graça, querido irmão, querida irmã, da conversão para ajudarmos a construir uma sociedade mais justa e fraterna com terra, teto e trabalho para todas as pessoas, a fim de um dia habitarmos na casa do céu”, finalizou. Monasa Narjara é jornalista da ACI Digital desde 2022 e foi jornalista na Arquidiocese de Brasília entre 2014 a 2015. A identidade visual da Campanha da Fraternidade (CF) 2026 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que tem como tema “Fraternidade e Moradia” foi lançada ontem (7). “Em 2026, ao voltar-se para a realidade da moradia, a Igreja convida todos a construir uma sociedade mais justa, onde ninguém seja excluído do direito de “morar com dignidade”’, disse o secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen à ACI Digital. Campanha da Fraternidade ‘não existe em outros países’, é um 'jeitão' brasileiro, diz arcebispo de Campo Grande A Campanha da Fraternidade “não existe em outros países. É um 'jeitão' brasileiro de viver a Quaresma, unindo fé e vida”, disse o arcebispo de Campo Grande (MS), dom Dimas Lara Barbosa ontem (5), durante coletiva para apresentar a Campanha da Fraternidade 2025 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sobre ecologia integral. Na Quaresma, são essenciais “a penitência unida à busca sincera de Deus, a escuta atenta e a acolhida da Palavra de Deus, a recordação dos mandamentos, dos fundamentos da fé e da moral cristãs, o incentivo à caridade concreta e a exortação à confissão sacramental”, disse o arcebispo de São Paulo (SP), dom Odilo cardeal Scherer, em artigo publicado por Vatican News, site oficial de notícias da Santa Sé., sobre aqueles que reduzem a quaresma à Campanha da Fraternidade. --- Fonte: ACI Digital URL Original: https://www.acidigital.com/noticia/66775/leao-xiv-pede-uma-atitude-constante-para-aqueles-que-nao-tem-onde-morar-em-mensagem-sobre-campanha-da-fraternidade

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