Marcha pela Vida da Noruega volta depois de 40 anos, unindo cristãos pelos nascituros
Ragnhild Helena Aadland Høen, assessora de relações públicas da Conferência Episcopal Católica da Noruega, posa ao lado de Maria Fongen, conselheira pastoral familiar da diocese católica de Oslo, com o Parlamento da Noruega (Stortinget) ao fundo. | Boe Johannes Hermansen
Cerca de 40 anos depois da última Marcha pela Vida na Noruega, cerca de mil apoiadores da causa pró-vida enfrentaram a chuva e o vento para se reunir em Oslo, no último sábado (13), para um novo testemunho público em defesa da vida dos nascituros.
O evento começou com uma manifestação às 11h na Praça 7 de Junho, antes dos participantes marcharem pelas ruas da capital cantando hinos cristãos, terminando em frente ao parlamento da Noruega às 12h30. Lá, oradores das áreas médica, social, religiosa e política discursaram sobre a dignidade e a proteção da vida humana, antes da multidão se unir para cantar Navnet Jesus (O Nome de Jesus), amplamente considerado o hino cristão mais amado da Noruega.
Faixas com slogans como "Uma voz para os sem voz", "Escolha a vida" e "650 mil desde 1978" — uma referência ao número de abortos registrados na Noruega desde a liberalização da lei do aborto no país — definiram a mensagem central da marcha: que toda criança tem direito à vida.
A marcha foi organizada pela Velg Livet, organização pró-vida cuja diretora, Cecilie Marie Røinås, disse à EWTN News que o evento foi motivado por um crescente interesse entre jovens noruegueses e pela determinação de responder às recentes expansões das leis de aborto no país.
“Como já se passaram cerca de 40 anos desde a última grande Marcha pela Vida na Noruega, sentimos que era hora de um novo testemunho público”, disse ela. “Com as recentes expansões das leis de aborto na Noruega, é importante que continuemos sendo uma voz em defesa da vida dos nascituros e não ajamos como se a discussão estivesse encerrada”.
A forte presença de jovens por trás da iniciativa, muitos deles com pouco mais de 20 anos, foi, para Røinås, uma das características mais significativas da marcha.
“O fato de tantos jovens estarem envolvidos mostra que a questão do aborto não é uma causa perdida”, disse ela. “Queremos mostrar que há muitos em nossa geração dispostos a defender a vida dos nascituros.”
Røinås disse que o sucesso da marcha seria medido, em última análise, não apenas pelo número de participantes, mas pelo seu impacto nos corações.
“Nossa oração é que as pessoas experimentem o amor de Deus”, disse ela, “porque a verdadeira mudança começa no coração das pessoas”.
O bispo de Osli, Fredrik Hansen, que não pôde comparecer devido a compromissos pastorais, descreveu a marcha à EWTN News como evidência de uma mudança mais ampla na sociedade norueguesa.
“A Marcha pela Vida de Oslo atesta o crescente interesse e engajamento na defesa da vida e da dignidade da vida na Noruega”, disse ele, dizendo ter esperança de que se torne um evento anual e sirva para construir pontes entre as organizações pró-vida do país.
Respondendo se considerava a marcha uma forma saudável de ativismo político ou um testemunho cristão genuíno, Hansen respondeu que era ambas as coisas.
“A marcha servirá para testemunhar à sociedade norueguesa a sacralidade da vida e a necessidade de combater as muitas ameaças à vida”, disse ele. “Fazendo isso, enviará uma mensagem firme aos nossos políticos e à mídia de que muitos noruegueses estão profundamente comprometidos com uma cultura pró-vida e desejam que suas vozes sejam ouvidas”.
O bispo falou também sobre o que descreveu como sinais discretos, mas reais, de renovação religiosa num país mais conhecido por seu laicismo. “O interesse pelo cristianismo está aumentando, principalmente entre os jovens”, disse ele. “O movimento pró-vida e o engajamento social mais amplo estão crescendo tanto na Igreja Católica quanto em outras comunidades cristãs, e o debate público sobre questões de vida e fé está se tornando cada vez mais comum”.
O bispo encerrou com um apelo direto aos católicos no exterior: "Lembrem-se da Noruega em suas orações”.
A Igreja Católica foi representada na marcha por fiéis de várias paróquias, e por Ragnhild Helena Aadland Høen, responsável pelas relações públicas da Conferência Episcopal Católica da Noruega.
Høen traçou um contraste imediato com a última manifestação semelhante, em 1986, que foi recebida com grandes contraprotestos, por vezes violentos. "Desta vez, nos permitiram caminhar em paz", disse ela à EWTN News.
Para Høen, o aspecto mais marcante da marcha não foi o seu tamanho, mas sim a sua unidade. "Católicos, luteranos, pentecostais e evangélicos estavam lado a lado", disse ela, descrevendo essa cooperação interdenominacional como "um dos sinais mais promissores na Noruega hoje".
Ela também destacou a participação do líder de louvor americano Phil King, cujo discurso se concentrou na unidade cristã: "O impossível não é impossível com Jesus".
Høen fez questão de situar a marcha como um começo, e não como um ponto culminante. "Tenho a nítida sensação de que Deus está reunindo seu povo na Noruega", disse ela. "Pareceu-me o início de um novo capítulo", um capítulo no qual tanto o ecumenismo cristão quanto o movimento pró-vida, acredita ela, continuarão crescendo.
“Saí de lá com uma forte sensação de expectativa e alegria”, disse Høen.
Entre os oradores nas escadarias do parlamento estava Ingrid Olina Hovland, presidente da ala jovem do Partido Democrata Cristão da Noruega, que falou abertamente sobre o cenário político enfrentado pelos defensores da vida no país.
Ela disse que os políticos pró-vida continuam sendo minoria na Noruega e frequentemente enfrentam oposição tanto de outros parlamentares quanto do público em geral. Hovland disse que os debates nacionais na Noruega se tornaram muito focados em questões específicas.
“O debate público centra-se principalmente nos cuidados de saúde e nos direitos das mulheres, dando menos atenção ao nascituro”, disse ela à EWTN News.
Hovland também pôs em dúvida uma premissa comum que sustenta os argumentos de que as dificuldades econômicas são o principal fator que impulsiona o aborto. Ela disse que o amplo Estado de bem-estar social da Noruega torna essa afirmação difícil de sustentar.
Mesmo numa sociedade com generosos benefícios sociais, a questão fundamental permanece: que valor moral atribuímos à vida humana nascitura e como esse valor deve ser ponderado em relação a outros interesses e direitos?
Ela disse sentir um otimismo cauteloso em relação à direção que sua geração está tomando. Os noruegueses mais jovens, disse ela, parecem cada vez mais dispostos a se envolver seriamente com as dimensões morais do aborto, em vez de tratar o debate como algo encerrado, uma disposição que, para aqueles reunidos em Oslo no último sábado, a própria marcha visava refletir.
Bryan Lawrence Gonsalves é um apologista e ensaísta nascido nos Emirados Árabes Unidos, que atualmente vive na Lituânia. Seu trabalho se concentra na doutrina social católica, teologia, dignidade humana e questões sociais contemporâneas.
Os bispos do México convocaram os fiéis e as pessoas de boa vontade para que se unam à marcha “Pela mulher e pela vida”, que acontecerá na manhã do domingo, 3 de outubro, na capital do país.
O Movimento Brasil Sem Aborto realiza amanhã (9) a 19ª Marcha Nacional pela Vida e a 3ª Marcha Distrital pela Vida, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), com o tema “A vida depende do seu voto!” O evento começa às 14h com missa na catedral de Brasília celebrada pelo arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa. Em seguida, os participantes se reúnem no Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, para o início da marcha.
Enquanto milhares se reúnem para a Marcha pela Vida de hoje em Washington, DC — o maior evento anual pró-vida nos EUA — os apoiadores em casa podem "marchar" divulgando a mensagem pró-vida nas redes sociais.
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Fonte: ACI Digital
URL Original: https://www.acidigital.com/noticia/68517/marcha-pela-vida-da-noruega-volta-depois-de-40-anos-unindo-cristaos-pelos-nascituros
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