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Milhares de jovens franceses rezam com Leão XIV em estádio de futebol

Papa Leão XIV celebrou a vigília de oração com 80 mil jovens em Paris, França / Crédito: Vatican Media Pelo menos 80 mil jovens católicos compareceram na noite de ontem (25) ao estádio nacional de...

Papa Leão XIV celebrou a vigília de oração com 80 mil jovens em Paris, França / Crédito: Vatican Media

Pelo menos 80 mil jovens católicos compareceram na noite de ontem (25) ao estádio nacional de futebol da França, norte de Paris, para rezar com o papa Leão XIV e ouvir sua mensagem para a Igreja.

Seja levantando os braços em atitude de louvor e adoração, seja venerando em silêncio as relíquias dos santos e a Santa Túnica de Cristo, todo o Stade de France permaneceu unido em oração antes da chegada de Leão XIV e ao longo de um programa com duração de uma hora e meia.

Pessoas vindas de subúrbios da classe trabalhadora dividiam o espaço com famílias do meio católico mais tradicional associado à cidade de Versalhes. Nas filas na entrada do estádio, bandeiras da Bretanha e da Vandea — regiões com forte tradição católica — tremulavam ao lado de grupos de estilo mais popular e carismático.

Uma jovem de 29 anos, Romance Bono, enxugava as lágrimas enquanto o papa entrava no estádio em meio a aplausos ensurdecedores.

“As lágrimas caíram porque é um momento muito emocionante”, declarou ela à EWTN News. “Ver todos esses jovens aclamando o papa como se fosse uma estrela do rock... essa é a força da Igreja e seu futuro aqui. Foi muito comovente”.

Logo depois da chegada do papa ao estádio, centenas de jovens católicos franceses apresentaram uma encenação artística que recriava a vida dos santos franceses e a história da Igreja na França; o espetáculo incluiu cavalos de verdade e culminou com fogos de artifício sobre o estádio.

Jacques-Henri de Livron, um voluntário de 28 anos, contou à EWTN News que, assim que soube que o papa visitaria a França, decidiu pedir um dia de folga no trabalho para vê-lo. Ele temia tanto perder os eventos que se ofereceu como voluntário para garantir que pudesse participar.

De Livron cresceu em um ambiente católico, mas retomou a fé ao chegar aos vinte anos, depois da dolorosa perda de alguns irmãos e amigos próximos. Segundo ele, essas experiências o levaram a redescobrir o valor da fé.

“O cristianismo é, na verdade, a religião da pessoa humana”, afirmou. “Nesta era de narcisismo, ele nos ajuda a sair de nós mesmos, a nos voltarmos para os outros e a nos preocuparmos com eles, em vez de pensar apenas em nós. Muitas vezes é chamado de ‘religião do livro’ ou ‘religião da revelação’. Mas é muito mais do que isso: é a religião da pessoa humana”.

De Livron também quis divulgar seu sobrenome, algo pouco comum na França — onde existe uma cultura anticlerical arraigada e os crentes costumam pedir para serem identificados na imprensa apenas pelo nome de batismo, a fim de evitar problemas no trabalho. “Quero fazer parte de uma geração que deixe de ter medo de dar testemunho, que revele seu nome e que não tema nada”, declarou.

Pierre-Alain Belaube, de 34 anos, descreveu o esforço de chegar com horas de antecedência, após um longo dia de trabalho, e de abrir caminho entre a multidão para entrar no estádio lotado como algo que “valeu a pena 200%. É um privilégio estar aqui”.

Belaube se descreveu como um católico que antes era pouco praticante, cuja vida se transformou ao ler a autobiografia de santo Inácio de Loyola.

“Tenho esperança de que muito mais jovens abram seus corações a Deus e permitam que Ele transforme suas vidas”, disse. “Acredito que um evento como este possa ser, para muitos, o primeiro marco de uma experiência que mude suas vidas. Espero que possamos inspirar muito mais jovens a conhecer Jesus”.

Thibault, um religioso que preferiu não revelar seu sobrenome por não ter permissão de seus superiores para falar com a imprensa, acompanhou ao evento 400 membros do movimento juvenil de sua comunidade religiosa, os Missionários da Divina Misericórdia.

Ele comentou à EWTN News que é muito comovente ver-se cercado por jovens que “querem dizer: ‘Aqui estou, sou católico e tenho orgulho de demonstrar isso’”.

O jovem religioso, que também se prepara para o sacerdócio, expressou sua esperança de que a visita de Leão XIV à França “contribua para o despertar missionário que precisa ocorrer no país”.

Embora esse país, em sua maioria secular, esteja passando por um aumento surpreendente no número de batismos, ele considera que “os católicos ainda têm dificuldade em sair ao encontro dos outros e serem missionários em sua vida cotidiana”.

“Acredito que este possa se tornar um momento significativo para a vida da Igreja na França”.

Em sua mensagem durante a oração, que incluiu hinos religiosos e a ladainha dos santos, Leão XIV convidou os jovens a rejeitar o mal e a se empenhar em praticar o bem.

“Deus é o Senhor da história e, aconteça o que acontecer, leva-a para a salvação: em Cristo, todo mal tem um fim, precisamente porque o fim se torna início de uma vida nova e eterna”, disse.

“A obra bem feita, aquela que é boa, é a redenção que Jesus realiza por nós”, disse o papa. “Na sua luta contra o pecado e a morte, a vitória de Cristo liberta-nos: salva-nos de todo o mal e convida-nos a todo o bem”.

Leão XIV também respondeu às perguntas de dois jovens franceses como parte da programação da noite.

Chloé, de 25 anos, falou sobre sua participação na paróquia e em um grupo de jovens católicos “ansiosos por viver e compartilhar sua fé com os outros”. No entanto, lamentou que a sociedade “se baseie em princípios diferentes” e, às vezes, “não leve em conta a questão de Deus”.

O papa Leão XIV respondeu: “Como disseste, é verdade que a sociedade em que vivemos parece ser indiferente a Deus. Mas o Senhor não é indiferente para conosco! É o que importa e nos dá sempre esperança”.

Chloé, natural de Saint-Denis, descreveu a vitalidade da vida católica naquela região. Saint-Denis costuma ser descrita como um “quartier sensible” (bairro vulnerável). Seu testemunho ecoou o que a EWTN News ouviu da boca de católicos locais presentes na multidão — incluindo pessoas de origem imigrante — sobre a vida da Igreja em seus bairros, caracterizados por uma forte presença muçulmana.

Um jovem da Borgonha chamado François também se dirigiu ao papa e perguntou como os jovens podem discernir o chamado do Senhor ao serviço.

O conselho de Leão XIV aos jovens foi manter o coração aberto ao sofrimento de seus semelhantes, seguir Jesus e inspirar-se nos exemplos dos santos.

“Mesmo na perseguição, estes nossos irmãos e irmãs abriram caminhos de paz. Olhai para os sacerdotes apaixonados por Cristo, como santo Eugênio de Mazenod e são João Maria Vianney; olhai para a beleza mística de santa Teresa de Lisieux; para a beata Pauline Jaricot, fervorosa na caridade e na missão; para a coragem dos cinquenta mártires do apostolado do período da Segunda Guerra Mundial, que serviram os seus irmãos até ao sacrifício da vida”, disse.

“Estes santos mudaram a história, tendo levado muitos do sofrimento à esperança, porque, acima de tudo, mudaram o seu próprio coração, transformando-o à luz da fé”, destacou.

A vigília juvenil foi o último evento do papa em um primeiro dia intenso na França. A viagem, que ocorre de 25 a 28 de setembro, o levará também a Lourdes e Metz.

Hannah Brockhaus é jornalista correspondente da CNA em Roma (Itália). Ela cresceu em Omaha, no estado americano de Nebraska e é formada em Inglês pela Truman State University no Missouri (EUA).

Solène Tadié é correspondente europeia do National Catholic Register. Ela é franco-suíça e cresceu em Paris (França). Depois de se formar em jornalismo pela Universidade Roma III, ela começou a fazer matérias sobre Roma e o Vaticano para a Aleteia. Ingressou no L’Osservatore Romano em 2015, onde trabalhou sucessivamente na seção francesa e nas páginas culturais do jornal italiano. Ela também colaborou com várias organizações de mídia católicas de língua francesa. Solène é bacharel em filosofia pela Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino.

O papa disse que a IA "não consegue responder a perguntas sobre o sentido da existência humana, que tem as suas raízes na experiência vivida".

A cerimônia religiosa na famosa catedral gótica foi o primeiro encontro do papa Leão XIV com a Igreja em Paris em sua visita à França, entre 25 e 28 de setembro.

O papa criticou o uso da ciência e da tecnologia para fins lucrativos em vez do progresso humano moral e ético.

Fonte: ACI Digital

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