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O governo de Leão XIV toma forma com um segundo consistório

Na sexta-feira, os 241 membros do Colégio Cardinalício foram convidados pelo Papa Leão XIV a reunirem-se no Vaticano para um consistório extraordinário. De acordo com o direito canônico, o Papa...

Na sexta-feira, os 241 membros do Colégio Cardinalício foram convidados pelo Papa Leão XIV a reunirem-se no Vaticano para um consistório extraordinário. De acordo com o direito canônico, o Papa pode convocar tal reunião "quando necessidades particulares da Igreja ou o estudo de assuntos de grande importância o aconselharem", para que os cardeais possam "prestá-lo auxílio". O consistório convocado é chamado de "extraordinário", em contraposição aos consistórios ordinários, que podem ser privados ou públicos e dizem respeito apenas aos cardeais presentes em Roma. O consistório público, por sua vez, serve para a criação de novos cardeais. Como o próprio nome indica, o consistório extraordinário é, teoricamente, o mais excepcional. Bento XVI não convocou nenhum, preferindo os consistórios ordinários realizados a portas fechadas (cinco no total). Francisco, por sua vez, convocou apenas dois consistórios extraordinários: um em 2014, referente ao Sínodo da Família, e outro em 2022, sobre a reforma da Cúria Romana. Embora o Papa Francisco não tenha recorrido a consistórios ordinários secretos para governar, os cardeais residentes fora de Roma, após a morte do pontífice argentino, expressaram o desejo de uma governança da Igreja que levasse mais em conta a dimensão colegiada, para que o ofício de cardeal não se limitasse ao seu aspecto puramente eleitoral. É com isso em mente que o Papa Leão XIV, fiel ao pedido que surgiu durante o conclave, decidiu agora fazer do consistório extraordinário um dos instrumentos-chave de seu governo. Embora ainda não tenha convocado um consistório ordinário, ele se prepara para realizar seu segundo consistório extraordinário em junho deste ano, após o de janeiro passado, durante o qual anunciou sua intenção de organizar tal evento anualmente a partir de 2027. Para Leão XIV, este consistório serve para reunir as orientações e perspectivas dos cardeais de Roma, mas especialmente daqueles de todo o mundo, sobre temas importantes. Em janeiro, ele havia pedido que escolhessem dois temas dentre quatro opções; Os cardeais optaram por trabalhar em dois temas-chave do pontificado de Francisco: a sinodalidade (a dimensão participativa e inclusiva da Igreja) e a evangelização. Esses dois temas ainda constam da agenda do encontro de junho e, portanto, serão explorados com maior profundidade: o primeiro se concentrará em como a Igreja Católica deve proclamar o Evangelho; o segundo, na implementação do Sínodo sobre o Futuro da Igreja — uma importante iniciativa lançada pelo Papa Francisco para tornar a Igreja mais aberta. Estão previstas mais duas sessões de discussão. A primeira se concentrará em questões levantadas pela encíclica Magnifica Humanitas a respeito da doutrina social da Igreja, particularmente o questionamento da noção de "guerra justa", que expressou reservas quanto à sua adequação ao contexto contemporâneo. A segunda abordará as divisões atuais nas sociedades contemporâneas, bem como as demandas daqueles a quem a Igreja não ouve suficientemente, começando a discussão com o conceito de "bem comum". Assim como em janeiro, essas discussões serão rigorosamente cronometradas, ocorrerão em grande parte em pequenos grupos e um breve período será reservado para contribuições livres. E, como na reunião anterior, os cardeais residentes fora de Roma e em exercício terão prioridade sobre os da Cúria Romana ou os cardeais aposentados. Diversas tendências emergem desse novo modo de governança: primeiro, a ideia de que os principais temas de seu pontificado, incluindo aqueles que ele delineou em sua encíclica, devem ser discutidos e desenvolvidos com os cardeais dentro dessa estrutura "colegial". Esse estilo tem sido bem recebido: em janeiro, todos os cardeais entrevistados elogiaram sua capacidade de ouvir. O Papa também se permite tempo suficiente para refletir sobre as principais questões, ouvindo o trabalho dos cardeais para orientar sua tomada de decisões. Isso é particularmente verdadeiro para os cardeais que trabalham fora de Roma, já que o objetivo declarado do Papa é usá-los para transmitir as vozes dos cristãos em todo o mundo. Ele presta especial atenção à experiência prática, dando ouvidos às vozes menos conhecidas do que as dos funcionários da Cúria. O ex-missionário no Peru, portanto, privilegia certas regiões mais periféricas, especialmente as mais pobres, visto que anunciou a implementação de uma forma de solidariedade financeira para permitir que todos participem do consistório. O limite de tempo estrito para as intervenções — três minutos — reflete o desejo do Papa de impor uma abordagem concisa e eficaz. Nesse sentido, ele também incentiva claramente o trabalho em grupo para permitir a identificação de tendências gerais. Tanto na forma quanto na substância, o pontífice confirma sua genuína intenção de se engajar com a questão da sinodalidade, inclusive nestas reuniões de alto nível. Para ele, não se trata simplesmente de cumprir o cronograma que lhe foi legado pelo Papa Francisco, que prevê um período de implementação até 2028, quando será realizada uma grande assembleia eclesiástica. Para Leão XIV, uma certa forma de sinodalidade pode servir à unidade da Igreja. "Ao sairmos, sentimos que todos estavam em paz", testemunhou um cardeal em janeiro passado. "Sinto a necessidade de poder contar com vocês!", afirmou o Papa aos cardeais. No entanto, uma questão importante permanece: com que tipo de cardeais ele pretende trabalhar nos próximos anos? Para descobrir, ele terá que convocar um consistório público ordinário. Questionado sobre este ponto, o Papa não pareceu considerá-lo uma prioridade. --- Fonte: Aleteia URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/06/25/o-governo-de-leao-xiv-toma-forma-com-um-segundo-consistorio/

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