Quando o Papa Leão XIV reintroduz Tolkien. Em sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas ("Magnífica Humanidade"), publicada em 25 de maio de 2026, Leão XIV nos lembra da grandeza da pessoa humana diante das promessas da inteligência artificial (IA). Diante da força do mal, que por vezes parece subjugar a humanidade a ponto de fazê-la sentir-se completamente impotente, o Papa enfatiza que "cada pessoa tem sua própria esfera de ação" e que é dentro dessa esfera que o indivíduo "é chamado a escolher entre alimentar a lógica da força (…) ou preservar a lógica da paz (…)". Leão XIV escolheu ilustrar este ponto não com os escritos de um teólogo, nem com as palavras de um santo, mas com as palavras proferidas pelo famoso mago de O Senhor dos Anéis, Gandalf:
"Não nos cabe, porém, reunir todas as marés do mundo, mas fazer o que estiver ao nosso alcance para ajudar os anos em que nos encontramos, erradicando o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que vierem depois de nós possam ter uma terra digna de ser cultivada."
Esta frase, extraída do terceiro volume da série de sucesso de J.R.R. Tolkien (1892-1973), é dita pelo mago a Frodo, o Portador do Anel, que se sente desanimado pela enormidade da tarefa. É um sábio ditado que ressalta a importância de cada indivíduo agir à sua maneira. O Papa elabora sobre isso com estas palavras: "A civilização do amor não nasce de um único ato espetacular, mas da soma de pequenos e tenazes atos de lealdade que se erguem como um baluarte contra a desumanização."
Partindo desse ponto, Leão XIV convida cada pessoa a "parar" e "examinar" como pode, em sua própria esfera de influência, "contribuir" para esse esforço. Ele então propõe cinco caminhos para a responsabilidade diária e pública, que desenvolve um após o outro: "palavras desarmantes, construção da paz por meio da justiça, adoção da perspectiva das vítimas, cultivo de um realismo saudável e revitalização do diálogo e do multilateralismo."
Uma referência a Tolkien que não surpreenderá os leitores ávidos e aqueles familiarizados com o escritor inglês, cuja obra inteira é permeada por um forte simbolismo cristão. O padre Francisco, da Comunidade de São João em Nova Jersey, recordou isso em uma entrevista de 2017 ao National Catholic Register, após descobrir O Senhor dos Anéis: "Em um mundo pós-cristão, Tolkien teve a intuição de evangelizar a imaginação por meio de coisas que realmente empolgam. Ele aborda os temas bíblicos da Luz e das Trevas, mas você não encontrará uma figura de Cristo na obra porque ele explicitamente não queria criar uma alegoria. Pelo contrário, você pode encontrar Cristo em Gandalf, Aragorn e até mesmo em Sam." A citação escolhida pelo Papa também se baseia em imagens muito presentes no Evangelho, particularmente as do "campo" e da "terra" a ser cultivada, que evocam as parábolas do semeador e do grão de trigo.
Essa referência faz parte da longa lista de autores inesperados convocados por Leão XIV em sua encíclica, de Marie Curie a Maria Montessori, passando por Viktor Frankl, testemunhando seu desejo de criar um diálogo entre a fé e a cultura contemporânea.
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Fonte: Aleteia
URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/05/25/por-que-leao-xiv-invocou-gandalf-em-sua-enciclica-sobre-ia/
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