A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou seu segundo nível de alerta internacional mais alto no domingo, 17 de maio, em resposta a um surto de Ebola causado por uma variante altamente letal e sem vacina, que está devastando a República Democrática do Congo.
O vírus "constitui uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPII), mas não atende aos critérios para uma emergência pandêmica", alertou o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Desde 2024, a ESPII é o segundo nível de alerta mais alto da OMS, depois da "emergência pandêmica".
O Ebola, que causa uma febre hemorrágica altamente contagiosa, continua sendo uma ameaça formidável, apesar das vacinas e tratamentos recentes, eficazes apenas contra a cepa Zaire, responsável pelos maiores surtos registrados. A província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, está sendo afetada pela variante Bundibugyo do vírus Ebola, contra a qual não existe vacina. Até 16 de maio, a OMS havia confirmado oito casos laboratoriais e registrado 246 casos suspeitos e 80 mortes suspeitas na província, além de um caso confirmado em Kinshasa e uma morte em Kampala, Uganda, entre viajantes que retornaram recentemente de Ituri.
A agência de saúde da União Africana, o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), registrou 88 mortes provavelmente causadas pelo vírus, de um total de 336 casos suspeitos, segundo os dados mais recentes divulgados no sábado, 16 de maio. Como o surto está concentrado em uma área de difícil acesso, poucas amostras foram testadas em laboratórios, e os números se baseiam principalmente em casos suspeitos. Ituri, uma região de mineração de ouro na fronteira com Uganda e Sudão do Sul, está passando por intensos fluxos migratórios devido à atividade de mineração. O acesso a certas áreas, assoladas pela violência armada, é difícil por motivos de segurança.
"Estamos vendo pessoas morrerem há duas semanas", disse Isaac Nyakulinda, representante da sociedade civil na cidade de Rwampara (Ituri), contatado pela AFP por telefone. "Não há lugar para isolar os doentes. Eles morrem em casa e seus corpos são tratados por familiares", continuou, dizendo temer o pior. O vírus causou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos. Durante surtos anteriores, a taxa de mortalidade variou entre 25% e 90%, segundo a OMS.
"A cepa Bundibugyo não tem vacina nem tratamento específico", enfatizou o ministro da Saúde congolês, Samuel-Roger Kamba, no sábado, acrescentando que "com essa cepa, a taxa de letalidade é muito alta, podendo chegar a 50%". A variante Bundibugyo causou apenas dois surtos em todo o mundo até o momento: em Uganda, em 2007 (42 mortes em 131 casos confirmados) e na República Democrática do Congo, em 2012 (13 mortes em 38 casos confirmados).
Não temos uma vacina, o que significa que dependemos principalmente de medidas de saúde pública.
“Não temos uma vacina, o que significa que dependemos essencialmente de medidas de saúde pública”, como respeitar o distanciamento social e limitar viagens, resumiu Jean Kaseya, chefe do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC), no sábado. Segundo as autoridades de saúde, o primeiro caso suspeito é o de uma enfermeira que se apresentou em 24 de abril em um centro médico em Bunia, capital de Ituri, com sintomas de infecção por Ebola. A República Democrática do Congo sofreu um surto de Ebola entre agosto e dezembro de 2025, com pelo menos 34 mortes. O surto mais mortal na região causou quase 2.300 mortes em 3.500 casos entre 2018 e 2020.
No total, este é o 17º surto na RDC desde que a doença foi identificada em 1976 no Zaire, antigo nome do país. Outros países do continente também foram afetados pelo vírus nos últimos anos, principalmente Guiné e Serra Leoa. A transmissão do vírus de pessoa para pessoa ocorre por meio de fluidos corporais ou contato com o sangue de uma pessoa infectada, viva ou morta. Os indivíduos infectados só se tornam contagiosos após o início dos sintomas, com um período de incubação que pode durar até 21 dias.
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Fonte: Aleteia
URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/05/18/surto-de-ebola-no-congo-oms-declara-emergencia-internacional/
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