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Mercado sagrado: Atenção com a venda de relíquias de santos on-line

Para que a Aleteia continue sua missão de evangelização, faça uma doação. Assim, o futuro da Aleteia também se tornará o seu. O que para milhões de fiéis é um objeto de veneração e um...

Para que a Aleteia continue sua missão de evangelização, faça uma doação. Assim, o futuro da Aleteia também se tornará o seu. O que para milhões de fiéis é um objeto de veneração e um elo com o divino, para outros tornou-se uma mercadoria lucrativa. O comércio de relíquias — partes do corpo de santos (primeira classe) ou objetos por eles tocados (segunda classe) — vive uma expansão sem precedentes nas plataformas de vendas pela internet. Recentemente, a Igreja Católica emitiu alertas severos sobre a comercialização de fragmentos de Carlo Acutis, o "padroeiro da internet", e supostos restos de São Francisco de Assis. O fenômeno revela um submundo onde o sagrado é precificado, embalado e despachado via correio, ignorando séculos de tradição e leis eclesiásticas.  De acordo com o Direito Canônico, a venda de relíquias é terminantemente proibida. O princípio é simples: o que é sagrado não pode ser objeto de transação comercial (simonia). As relíquias devem ser doadas para veneração pública em igrejas ou oratórios, acompanhadas de um certificado de autenticidade emitido pela autoridade competente. No entanto, sites de venda e redes sociais tornaram-se vitrines para "kits de santos", onde se oferecem desde pedaços de ossos até tecidos embebidos em sangue.  O perigo, além do desrespeito religioso, reside na falsificação. Sem a custódia da Igreja, o mercado é inundado por itens de procedência duvidosa. No caso de Carlo Acutis, a denúncia de venda de seus cabelos em sites internacionais gerou uma mobilização do Vaticano. A Igreja reforça que relíquias de primeira classe de santos recentes são monitoradas rigorosamente e qualquer oferta comercial é, por definição, um estelionato ou um furto sacrílego. A comercialização transforma o testemunho de vida do santo em valor meramente materialista.  A exposição de corpos de santos, como ocorre periodicamente com São Francisco ou Padre Pio, reacende o interesse público e, consequentemente, o mercado paralelo. A antropologia explica esse fenômeno pela necessidade humana de um contato físico com o transcendental. A relíquia funciona como uma ponte tangível. Contudo, essa devoção física é a mesma que alimenta o tráfico. Quando uma exposição ganha relevância midiática, as buscas por fragmentos associados àquele santo disparam nos sistemas de busca, uma oportunidade para golpistas que fragmentam objetos comuns para vendê-los como sagrados.  O dilema para a Igreja é equilibrar a tradição da ostensão (exposição pública) com a proteção da dignidade dos restos mortais. Enquanto a exposição serve para fortalecer a fé comunitária, o mercado ilegal atomiza o santo, transformando-o em pequenos fragmentos de "propriedade privada". É uma desconstrução do conceito de comunhão, onde o corpo, que deveria ser um templo, é fatiado para satisfazer colecionadores ou devotos mal informados.  O grande nó para as autoridades eclesiásticas é a fiscalização. Como monitorar milhares de anúncios em dezenas de idiomas e jurisdições diferentes? A Igreja tem buscado parcerias com plataformas de e-commerce para remover anúncios que infrinjam o Direito Canônico, mas a reposição é rápida. Além disso, muitos vendedores utilizam termos ambíguos para burlar filtros de segurança, vendendo o "estojo" ou a "moldura" e oferecendo a relíquia como um "brinde", tentando mascarar o crime.  A conscientização dos fiéis continua sendo a ferramenta mais eficaz. Ao compreender que a posse de uma relíquia obtida ilegalmente não traz benção, mas sim o peso de um ato ilícito, o mercado tende a retrair. A santidade, como lembram os teólogos, não está na posse física de um osso ou tecido, mas na imitação das virtudes. Enquanto houver quem pague pelo sagrado, o mercado das sombras continuará a profanar a memória daqueles que, em vida, tudo entregaram.  --- Fonte: Aleteia URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/03/12/mercado-sagrado-atencao-com-a-venda-de-reliquias-de-santos-on-line/

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