Ao chegar a um lar de idosos em Saurimo, Angola, no dia 20 de abril, uma guarda de honra aguardava o Papa. Mas não havia nada comparável a um protocolo militar: em ambos os lados da entrada, mulheres com boubous coloridos, alegres e orgulhosas, dançavam, agitando lenços brancos. Sua alegria não começou com a visão do carro do sucessor de Pedro: uma hora antes, essas mulheres já se balançavam em ritmo, incansavelmente, num balanço alegre e natural. Da mesma forma, quando o Papa entra no jardim da residência, sua chegada é recebida por pessoas vestidas com camisas impecavelmente passadas, túnicas douradas, sapatos reluzentes e lenços brilhantes. E, acima de tudo, entoam um hino com toda a alma, movendo seus corpos ao ritmo dos tambores. Leão XIV escuta, espera, sorri e acena com a cabeça, deixando-se levar pelo ritmo.
Essa cena se repete em todos os lugares que o Papa visita. Na África, as pessoas vestem suas melhores roupas e dançam. Em grandes aglomerações, onde as vozes poderosas de centenas de cantores ressoam, fazendo a terra tremer, toda a multidão se entrega à música, balançando ao ritmo das melodias tradicionais. “A dança na África não é uma manifestação superficial; ela faz parte da cultura desde tempos imemoriais, enraizada em práticas animistas de conexão com a natureza”, explica Alberto Magnani, jornalista italiano especializado em África. “É interessante ver que os católicos também estão vivenciando sua liturgia por meio dessa inculturação”, acrescentou.
Desde que o Papa chegou à África Central, “tem sido uma celebração”, exclamou Ada no bairro de Kilamba, no domingo. Essa moradora de Luanda observou com entusiasmo a mobilização de seus concidadãos:
“No aeroporto, nas ruas, aqui, somos tantos… dá para ver que as pessoas estão felizes em receber o Papa!” Nessas multidões, muitos exibiam a imagem do pontífice em suas túnicas ou gorros, sinal de sua devoção, como expressou o homem que gritou quando o papamóvel passou em Douala: “Ele é meu Santo Padre, ele é meu Santo Padre, ele está aqui!”
Para receber o chefe da Igreja Católica, a África se mobiliza ao máximo: “Esta será a apoteose”, profetizou o jovem Desmond durante a última missa de Leão XIV em Yaoundé. “Vejam este mundo, as pessoas saíram de suas casas, reuniram-se aos milhões, não teriam vindo se não amassem o Papa, não estariam aqui”, proclamou Patrick enfaticamente.
Tal como os seus antecessores, Leão XIV também beneficia de pequenos rituais populares na Nunciatura Apostólica em Luanda — a sua residência — onde grupos aguardam o Papa com cânticos e danças animadas a cada entrada e saída. E mesmo quando ele desaparece no edifício, as pessoas permanecem acordadas um pouco mais, dançando; mulheres embalam os seus bebés, crianças se mexem e as pessoas olham pelas janelas, por precaução. Porque querem ver o Papa, mas também porque a alegria e a celebração fazem parte do ADN deste continente. Tal como, na esplanada de Saurimo, as pessoas continuaram a dançar debaixo do pódio muito depois de o Papa ter partido…
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Fonte: Aleteia
URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/04/21/um-baile-africano-para-o-papa/
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