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Um ano depois: Os últimos dias de Papa Francisco

Em 14 de fevereiro, o pontífice argentino, que vinha apresentando dificuldades respiratórias há vários dias, foi internado no Hospital Gemelli para tratamento de emergência de bronquite. Desde...

Em 14 de fevereiro, o pontífice argentino, que vinha apresentando dificuldades respiratórias há vários dias, foi internado no Hospital Gemelli para tratamento de emergência de bronquite. Desde 2020, Francisco tem sofrido uma série de problemas de saúde: dores articulares o obrigaram a usar cadeira de rodas, e complicações digestivas já exigiram duas cirurgias, em 2021 e 2023. Ele também demonstrou significativa fragilidade respiratória: tendo sido submetido à remoção do lobo superior do pulmão direito em Buenos Aires, em 1957, após uma grave doença que quase lhe custou a vida, foi tratado de bronquite infecciosa em março de 2023. Em 18 de fevereiro, os resultados dos exames realizados pela equipe do Hospital Gemelli chegaram: o Papa estava com pneumonia bilateral. Os dias seguintes foram particularmente dolorosos, marcados por diversas crises em 22 de fevereiro, 28 de fevereiro e 3 de março. A equipe do Hospital Gemelli revelou posteriormente que o Papa esteve em "risco de vida" durante duas dessas crises, e que a questão de "deixá-lo partir" foi levantada. No domingo, 23 de março, o Papa Francisco finalmente retornou ao Vaticano após aparecer, com o rosto abatido, visivelmente muito fraco e quase sem voz, na janela da policlínica. Ele depositou um buquê de flores na entrada da Basílica de Santa Maria Maior, que foi colocado diante do ícone de Nossa Senhora do Povo Romano – uma profunda devoção do pontífice que o levou a escolher esta basílica como seu local de sepultamento. Em seguida, dirigiu-se à Domus Sanctae Marthae, onde um quarto havia sido preparado para que ele recebesse tratamento, que inclui assistência respiratória e, sobretudo, requer repouso prolongado. A agenda do pontífice argentino, intensa durante este Ano Jubilar, foi então reduzida a aparições muito raras, embora o boletim médico de 1º de abril anunciasse uma "ligeira melhora". Em 4 de abril, um papa muito fraco, mas sorridente, fez sua primeira aparição pública durante o Jubileu dos Doentes, ao final da missa celebrada na Praça de São Pedro. Em 9 de abril, ele chegou a receber o Rei Carlos III em seu apartamento na Domus Sanctae Marthae, sem o auxílio de um respirador. Em 13 de abril, Domingo de Ramos, a Semana Santa começou em Roma sem nenhuma certeza quanto à possível participação do Papa. Ao final da missa, ele apareceu mais uma vez sem respirador para desejar aos fiéis uma "abençoada Semana Santa", aos quais dirigiu uma mensagem escrita: "Irmãos e irmãs, agradeço-lhes sinceramente por suas orações. Neste momento de fragilidade física, elas me ajudam a sentir ainda mais a proximidade, a compaixão e a ternura de Deus." Três dias depois, Francisco recebeu a equipe do Hospital Gemelli para agradecê-los, mas não pôde participar da audiência geral. No dia seguinte, Quinta-feira Santa, fez sua última aparição pública fora do Vaticano, visitando os detentos da prisão Regina Coeli. Na capela da instituição, pediu desculpas por não poder lavar os pés deles, como costumava fazer em anos anteriores. Ao ser questionado por jornalistas, na saída, sobre como passaria o Tríduo Pascal, respondeu simplesmente: "Da melhor maneira possível". Nos dias seguintes, Francisco não pôde participar das celebrações litúrgicas da Sexta-feira Santa, da Vigília Pascal e do Domingo de Páscoa, todas presididas por cardeais. Para o Domingo de Páscoa, porém, o Papa havia preparado três surpresas. A primeira foi sua decisão de receber, por alguns minutos, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, que viera a Roma para participar da Semana Santa; esta foi a última audiência concedida pelo Papa a uma figura pública. A segunda foi sua decisão de aparecer na sacada da Loggia para presidir a tradicional bênção Urbi et Orbi. Sua voz estava embargada, seu semblante abatido, e foi com visível esforço para falar que desejou uma feliz Páscoa aos católicos de Roma e do mundo, antes de passar a palavra a Monsenhor Diego Ravelli, Mestre das Celebrações Litúrgicas. Então, para surpresa de todos, ele fez um passeio no papamóvel, o primeiro desde que foi hospitalizado, acompanhado por seu enfermeiro italiano, Massimiliano Strappetti. Apesar do visível cansaço e sofrimento que demonstrava, dedicou-se até o final desta intensa Semana Santa para saudar os fiéis pela última vez. No dia seguinte, conhecido como "Segunda-feira dos Anjos" na Itália, o Papa Francisco, ainda em seu quarto na Domus Sanctae Marthae, sentiu-se mal por volta das 5h30 da manhã. "Obrigado por me trazer de volta à Praça [de São Pedro]", teriam sido algumas das últimas palavras que o Papa dirigiu ao seu enfermeiro antes de entrar em coma. Sofrendo de um AVC e insuficiência cardiovascular irreversível, o Papa acabou falecendo. --- Fonte: Aleteia URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/04/20/um-ano-depois-os-ultimos-dias-de-papa-francisco/

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