Desde sua eleição, Leão XIV tem se mostrado bastante reservado, por vezes um pouco distante, frequentemente impassível. Mas nesta quinta-feira, 16 de abril, durante sua visita a Bamenda, no norte de Camarões, região devastada por movimentos separatistas, o 267º Papa causou forte impressão com seu tom vibrante, declamando cada palavra como se desejasse imprimir profundamente sua mensagem nesta terra.
"Toda a dor que hoje assola sua comunidade torna esta certeza ainda mais forte: Deus nunca nos abandonou!"
O povo de Bamenda aguardava o Papa com fervor, e desde suas primeiras palavras, a catedral foi ovacionada. Deve-se dizer que o pontífice peruano-americano ditou o tom: enunciando cada sílaba em inglês, ele transmitiu sua mensagem com inabalável determinação. “Estou aqui para proclamar a paz, mas vejo desde já que são vocês que a proclamam ao mundo inteiro e a mim”, declarou o Papa, prosseguindo seu discurso apaixonado, enquanto a atenção dos fiéis na catedral estava voltada para ele. Improvisando algumas exortações com fervor resoluto, ele buscou unir os camaroneses: “Que todos nós continuemos no caminho da bondade que leva à paz”, exortou o pontífice, afirmando que o diálogo inter-religioso testemunhado em Bamenda poderia ser “um modelo” para todo o planeta.
Nesta região de terra ocre e colinas verdejantes cobertas de floresta, o chefe da Igreja Católica compartilhou sua profunda convicção com o povo, proferindo seu discurso com um vigor nunca visto desde sua eleição.
E Bamenda retribuiu seu afeto: nas ruas, desde o aeroporto e ao longo dos 13 quilômetros que o separavam da catedral, uma multidão contínua o aguardava sob o sol e o calor, aclamando com alegria a passagem de seu carro.
Num comovente gesto de generosidade, as pessoas ainda varriam apressadamente o limiar da catedral momentos antes de o Papa pisar no tapete vermelho. Por onde o Papa passava, gritos de alegria o saudavam
"Bamenda, hoje você é a cidade no monte, resplandecente aos olhos de todos!", respondeu o Papa a essa euforia, como que para elevar as almas que o ouviam. Diante do altar, o sucessor de Pedro também não poupou palavras ao condenar "os senhores da guerra" e denunciar "um mundo de cabeça para baixo, uma perversão da criação de Deus que toda consciência honesta deve denunciar e rejeitar".
Ao longo de seu discurso, Leão XIV lançou as bases para o futuro: "Não percam o ânimo nos anos vindouros", advertiu, encorajando a "miríade" de pacificadores a travar uma "revolução silenciosa" para confundir os "poucos opressores" que estão destruindo o mundo. Algumas horas depois, durante uma missa, antes de embarcar em seu avião de volta para Yaoundé, ele reforçou a mensagem: "Este é o momento de mudar, de transformar a história deste país.
Hoje, não amanhã; agora, não no futuro." Em resposta, ouviu-se o aplauso de toda uma nação que o aguardava com esperança, como Jeannette, que confidenciou à multidão: "Se as coisas não mudarem em Bamenda, não haverá futuro para nossos filhos."
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Fonte: Aleteia
URL Original: https://pt.aleteia.org/2026/04/17/o-papa-que-parece-impassivel-surpreende-em-camaroes/
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