Montes Claros abre processo de beatificação de madre Maria Angélica da Eucaristia
A serva de Deus, madre Maria Angélica da Eucaristia, fundadora do Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI, em Montes Claros (MG) | Arquidiocese de Montes Claros/Laura Tupinambá
O processo diocesano de beatificação da serva de Deus madre Maria Angélica da Eucaristia, fundadora do Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI, em Montes Claros (MG), foi aberto no domingo (5). A cerimônia iniciou às 7h, com uma missa na catedral de Montes Claros, celebrada pelo arcebispo local, dom José Carlos Souza Campos, e concelebrada pelo frade carmelita Patrício Sciadini.
No início da missa, dom José Carlos Souza Campos disse que a abertura da causa de beatificação de madre Maria Angélica da Eucaristia é “um caminho importante e bonito” para a Igreja de Montes Claros, no qual será possível “visitar a vida, a história” e “o caminho” de santidade “percorrido” pela religiosa.
E “na vida” de madre Maria Angélica “queremos enxergar os traços que devem estar na vida de todos” porque “a santidade é para todos” e também “é o resultado da conversão”, disse o arcebispo de Montes Claros.
Em 1977, madre Maria Angélica da Eucaristia foi enviada para Montes Claros com a missão de fundar o Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI. Segundo a arquidiocese de Montes Claros, sob sua direção o mosteiro se tornou “referência espiritual e berço de novas fundações”. Em 1992, ela foi encarregada de fundar um Carmelo em Senhor do Bonfim (BA) e, dois anos depois, enviou as primeiras religiosas para iniciar a nova comunidade, a pedido do bispo local. Em 1998, enviou a primeira carmelita brasileira ao Carmelo de Haifa, na Terra Santa, além de religiosas para mosteiros da Espanha, contribuindo para a expansão do carisma carmelita. Em 2000, aceitou o pedido para fundar outro Carmelo, desta vez em Coronel Fabriciano (MG).
Segundo a arquidiocese de Montes Claros, madre Maria Angélica “era conhecida pela alegria no serviço, pela serenidade diante dos desafios e pela confiança na Providência Divina”. Ela acolhia com atenção as pessoas que a procuravam em busca de orientação, ajudando-as em seu crescimento espiritual e humano e a enfrentar, com fé, as dificuldades da vida. Em 2014, permaneceu como vice-priora e mestra de noviças, dedicando-se à formação das futuras carmelitas, mesmo depois de deixar o cargo de priora, ao fim de seu último triênio. Ela também foi membro do conselho da Federação São José por vários triênios.
Em 19 de março, o arcebispo de Montes Claros, dom José Carlos, recebeu da Santa Sé o nihil obstat (nada obsta), autorização que permite a abertura do processo diocesano de beatificação de madre Maria Angélica da Eucaristia. Com a abertura oficial da causa, a religiosa passa a ser chamada de serva de Deus, primeiro título concedido pela Igreja no caminho de uma possível canonização.
A pedido de dom José Carlos, o frei carmelita italiano Patrício Sciadini fez a homilia da missa de abertura do processo diocesano de beatificação da serva de Deus madre Maria Angélica da Eucaristia. O frade viveu 40 anos no Brasil e atualmente mora no Egito, onde exerce seu ministério na basílica de santa Teresinha.
Frei Patrício Sciadini contou que acompanhou a trajetória da “irmã Maria Angélica desde 1974” e classificou a abertura da causa como "um momento histórico" e de "grande alegria".
Em sua homilia, o frade destacou quatro características da espiritualidade de madre Maria Angélica: “Um grande amor a Deus”, “o amor à Igreja”, “um amor profundo para o Carmelo” e “o amor ao povo".
“O seu coração sempre foi um coração inflamado deste amor de Deus” e “quando ela falava, sempre falava de Deus, sempre ajudava as pessoas a fazer esse caminho, a encontrar-se com Deus”, disse o frade carmelita. “Não um Deus distante”, mas “um Deus que habita o nosso coração e que nos permite de viver sempre na alegria”.
Ele contou que a irmã Angélica era “uma pessoa feliz, serena, transparente” e quando alguém “falava com ela”, logo percebia que ela não transmitia uma “teologia” ou “um conhecimento humano”, mas sim, “o conhecimento de Deus”.
“A segunda coisa que eu sempre notei na irmã Angélica, nas nossas conversas que tivemos muito” é “o amor à igreja”, disse Sciadini. “Tanto é verdade que ela colocou como o nome do Carmelo Maria, que é a mãe da Igreja e do papa Paulo VI” e “ela caminhou sempre com a Igreja, sempre na escuta da palavra do papa, sempre na escuta da palavra do arcebispo” de Montes Claros.
Então, “se você quer ser santo, se você quer ser uma pessoa que caminha, que vive o mistério de Deus” é preciso “caminhar com a Igreja”, ressaltou o carmelita.
Este “amor à Igreja”, segundo o frade, fez com que madre Maria Angélica também “tivesse um profundo amor para o Carmelo”.
“Ela queria ver o Carmelo crescer. Queria ver o Carmelo que expandia, que difundia a espiritualidade. Por isso que do Carmelo de Montes Claros saíram dois Carmelos: o de Bonfim e o de Fabriciano”, disse. “Mas ela tinha um coração aberto também ao Carmelo do mundo” e “quando escutava que o Carmelo de Haifa, de Israel, precisava de vocações e tinha vocações, ela olhava e enviava as irmãs. Porque o Carmelo é a Igreja” e “nós não podemos ser preocupados somente daquilo que é o nosso pequeno mundinho, das nossas coisas. Devemos ter o olhar de Cristo, o olhar que olha o universo, que vê toda a humanidade”.
“Este amor ao Carmelo que a leva e que levava o seu coração a ver que é necessário sair de si, antes que o papa Francisco inventasse a belíssima fórmula ‘uma Igreja em saída’”, continuou.
“Outro aspecto da espiritualidade de madre Angélica”, segundo o frei Patrício, é “o amor ao povo”.
Segundo o frade, “ela amava muito o povo”, tinha “o dom da escuta” e “o dom de participar do sofrimento dos outros” e acolhia a todos que “iam ao Carmelo” em busca de ajuda e orientação.
“Nós precisamos escutar com amor. Não é a escuta psicológica” porque “o psicólogo te escuta para te ajudar, mas também porque recebe”, mas “Angélica tinha este dom da escuta, este dom de atender as pessoas, sair de si para atender os outros”.
Instalação do tribunal da causa de beatificação de madre Angélica da Eucaristia. Arquidiocese de Montes Claros/Laura Tupinambá
Depois da missa, o tribunal da causa de beatificação de madre Angélica da Eucaristia foi instalado. A sessão iniciou com a oração do Veni Creator Spiritus, cantado pelos carmelitas do Carmelo Mãe da Igreja e São João Paulo II e Paulo VI.
“Nas coisas de Deus e nas causas que dizem respeito a Deus, o Espírito nos conduz bem”, disse dom José Carlos na abertura da sessão.
Durante a sessão, foram apresentados os membros do tribunal nomeados para acompanhar o processo de beatificação: o delegado episcopal da causa, padre Gladysson Eduardo de Miranda Assis; o promotor de justiça da causa, cônego Carlos Henrique Moreira de Souza; o notário atuário da causa, Ronaldo Brigini; a notária adjunta da causa, Analícia Ferreira; e o vice-postulador da causa, Paolo Vilotta. Eles assumiram suas funções e prestaram o juramento previsto pela legislação canônica, comprometendo-se a atuar com fidelidade, diligência e sigilo.
Na cerimônia também foram apresentados os integrantes da Comissão Histórica: a priora do Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI, madre Elisabeth; a carmelita irmã Maristela e o frei Patrício Sciadini. Houve a leitura do comunicado do Dicastério para as Causas dos Santos sobre a concessão do nihil obstat pela Santa Sé, que autoriza a abertura da causa de beatificação de madre Maria Angélica, e a leitura do decreto arquiepiscopal, feita pelo arcebispo de Montes Claros, no qual constituiu oficialmente o tribunal responsável pela condução da fase diocesana da causa.
O vice-postulador da causa, Paolo Vilotta apresentou uma lista inicial de testemunhas que serão ouvidas durante a investigação.
Segundo a arquidiocese, “caberá ao Tribunal colher depoimentos, reunir documentos, escritos e demais elementos que possam contribuir para demonstrar a vida, as virtudes heroicas e a fama de santidade da Serva de Deus”.
Dom José Carlos disse que o processo de madre Angélica está apenas “iniciando” e pediu para que ninguém “antecipe a sentença”.
“O que importa agora é que todos aqueles e aquelas que conheceram, conviveram, conversaram trocaram correspondência com a madre Angélica possam dar testemunho disto, e um testemunho formal que o tribunal se encarrega de receber, de guardar, compilar até que tudo isto seja enviado para o Dicastério da Causa dos Santos, em Roma”, disse o arcebispo. “O nosso trabalho aqui é de juntar tudo o que possa favorecer aquilo que nós sabemos e cremos, mas que queremos que toda a Igreja saiba e creia. Isto é, a santidade que madre Angélica conseguiu construir ao longo do caminho no carisma carmelitano no meio de nós, e em outras partes por onde ela passou”, por isso, “estamos no tempo de encontrar elementos, motivos, argumentos, fatos, sinais que nos façam entender que Maria Angélica de fato é alguém que fez um caminho de santidade no meio de nós”.
Ao final da sessão, dom José Carlos Souza Campos convidou os presentes a invocarem “a presença maternal da Virgem Santíssima, Virgem do Carmo” por meio da oração da Salve Regina, pedindo sua intercessão pela equipe responsável pela causa e pela vida espiritual dos Carmelos.
Monasa Narjara é jornalista da ACI Digital desde 2022 e foi jornalista na Arquidiocese de Brasília entre 2014 a 2015.
Santa Sé autoriza início do processo de beatificação da fundadora do Carmelo de Montes Claros
O Carmelo Maria Mãe da Igreja e Paulo VI, em Montes Claros (MG), recebeu do Dicastério para as Causas dos Santos da Santa Sé o nihil obstat autorizando o início do processo de beatificação de sua fundadora, madre Maria Angélica da Eucaristia. A partir de agora, a carmelita passa a ser chamada serva de Deus.
O papa Leão XIV promulgou hoje (18) decreto que reconhece as virtudes heroicas do servo de Deus padre Júlio Maria De Lombaerde, sacerdote belga que foi missionário no Brasil. Com o reconhecimento, padre Júlio passa a ser venerável e é necessário um milagre pela intercessão dele para ser beatificado.
O servo de Deus padre Luso de Barros Matos (1906-1987) era muito devoto de santo Antônio de Pádua. Ele trabalhou 42 anos em Porto Nacional (TO), cidade onde é querido pela população e tem fama de santidade. Sempre carregava no bolso de sua batina um devocionário do santo, que o inspirava na prática da caridade.
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Fonte: ACI Digital
URL Original: https://www.acidigital.com/noticia/68825/montes-claros-abre-processo-de-beatificacao-de-madre-maria-angelica-da-eucaristia
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