Renascimento eucarístico convida católicos a uma recepção digna da comunhão, diz bispo
O bispo de Springfield, Illinois, EUA, Thomas Paprocki. | Diocese de Springfield, Illinois
Quatro anos depois de a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB, na sigla em inglês) lançar o Movimento Nacional de Renascimento Eucarístico, o bispo de Springfield, Illinois, EUA, Thomas Paprocki, disse que os católicos devem recuperar a “coerência eucarística”, dizendo que a crença na Presença Real de Cristo deve se refletir tanto na vida moral quanto na recepção digna da Comunhão.
O Renascimento Eucarístico Nacional, iniciativa de três anos da USCCB com o objetivo de renovar a crença e a devoção católica na presença real de Cristo na Eucaristia por meio do ensino, da evangelização paroquial e de eventos nacionais, foi lançado em 2022 em resposta ao declínio da crença na Presença Real entre os católicos. O renascimento culminou no Congresso Eucarístico Nacional em 2024.
Em discurso proferido na última terça-feira (14) no Instituto de Cultura Católica sobre o tema A Mesa do Senhor e a mesa dos demônios: Coerência Eucarística e a Era do Relativismo Moral, Paprocki disse que a missão do movimento de renovação eucarística vai além da simples devoção, buscando também promover vidas que correspondam àquilo que os católicos professam acreditar.
Paprocki disse que a Eucaristia é tanto o sacrifício de Cristo tornado presente quanto o sacramento da comunhão com Deus e a Igreja.
“A crença central dos católicos sobre o mistério da Eucaristia é a nossa fé na presença real de Cristo”, disse ele. “O sacramento da Eucaristia é chamado de Sagrada Comunhão precisamente porque, ao nos colocar em comunhão íntima com o sacrifício de Cristo, somos colocados em comunhão íntima com Ele e, por meio dEle, uns com os outros”.
Devido a essa realidade, disse Paprocki, os católicos conscientes de pecados mortais devem primeiro buscar a reconciliação antes de se aproximar do altar.
“Como a Igreja sempre ensinou, uma pessoa que recebe a Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal não só deixa de receber a graça que o sacramento transmite, como também comete o pecado de sacrilégio”, disse Paprocki.
Citando a advertência de são Paulo em 1 Coríntios, o bispo disse que "quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente terá de responder pelo corpo e pelo sangue do Senhor"(cf. 1Co 11,27).
Paprocki disse que esse entendimento forma a base do que a Igreja chama de “coerência eucarística”, que ele definiu como consistência entre crença e conduta.
“Uma pessoa que, por sua própria ação, rompeu a comunhão com Cristo em Sua Igreja, mas recebe o Santíssimo Sacramento, age de modo incoerente, reivindicando e rejeitando a comunhão ao mesmo tempo. É, assim, um contrassinal, uma mentira”, disse ele.
Referindo-se ao cânon 915, Paprocki disse que os ministros da Sagrada Comunhão devem, por vezes, negar a comunhão àqueles que persistem obstinadamente em pecado grave manifesto.
O cânon 915 diz: “Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditos, depois da aplicação ou declaração da pena, e outros que obstinadamente perseverem em pecado grave manifesto”.
O bispo também citou um memorando de 2004 do então cardeal Joseph Ratzinger interpretando o cânon 915, que trata da negação da Sagrada Comunhão àqueles que persistem obstinadamente em pecado grave manifesto. Paprocki disse que aqueles que apoiam publicamente e obstinadamente males morais graves, como o aborto ou a eutanásia, se enquadram nas disposições do cânon 915.
Paprocki citou o memorando: Quando “a pessoa em questão, com obstinada persistência, ainda se apresenta para receber a Eucaristia completa… o ministro da Sagrada Comunhão deve recusar-se a distribuí-la”.
Paprocki disse que essa recusa não tem a intenção de ser uma punição, mas sim de incentivar uma mudança de atitude.
Paprocki disse que comportamentos que justificariam a negação da comunhão abrangem heterossexuais que coabitam sem casamento, pessoas com tendências homossexuais que mantêm relações sexuais e pessoas divorciadas que se casam novamente sem terem obtido a anulação do casamento anterior.
Paprocki se referiu à sua recusa em 2018 de dar a Eucaristia ao senador Dick Durbin, do Partido Democrata, do Estado de Illinois, devido ao político apoiar leis que permitem o acesso ao aborto. O bispo disse: “A recusa da comunhão é um remédio que busca promover uma mudança de coração” e visa encorajar políticos “a se arrepender e voltar a ser pró-vida”.
O bispo concluiu: “Buscando a coerência eucarística numa era de relativismo moral, é importante dizer que o objetivo final é a conversão e a readmissão à Comunhão. Mesmo quando uma decisão difícil precisa ser tomada, como a de não admitir alguém à Sagrada Comunhão até que haja arrependimento e reconciliação, tal disciplina não contradiz a lei que a motiva”.
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A Igreja sempre destacou a presença real do Senhor no Santíssimo Sacramento e por vários séculos incentivou o amor a este grande milagre de Deus.
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Fonte: ACI Digital
URL Original: https://www.acidigital.com/noticia/68961/renascimento-eucaristico-convida-catolicos-a-uma-recepcao-digna-da-comunhao-diz-bispo
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